Semana de Formação Custodial encerrou-se abordando o tema: “Casa Comum”

O leigo jovem na espiritualidade franciscana e na militância social

A formação de hoje proporcionou-os um momento com o jovem Igor Guilherme Pereira Bastos, membro da Jufra de Uberlândia e representante da secretaria DHJUPIC (Direitos Humanos Justiça, Paz e Integridade da Criação) nacional. O mesmo apresentou aos participantes um pouco acerca das discussões políticas atuais em torno dos mais diversos âmbitos econômicos, sociais, políticos e mesmo ambientais, tudo isto relacionado às posições que a Igreja tem assumido a partir de tais discussões. Para início de conversa o jufrista propôs dois pontos importantes: o primeiro deles é a urgência necessária para tais debates, onde a consciência acerca destes problemas precisa estar constantemente presente em nossas mentes e discussões eclesiais; e, o segundo é a responsabilidade que precisamos ter quanto ao compromisso com as questões de degradação ambiental e social.

Um grande clamor emerge dos próprios discursos e documentos Pontifícios, como a Encíclica Laudado Sii, do Papa Francisco. Por meio dela o Santo Padre nos alerta para a necessidade de despertarmos em nossas comunidades de fé o compromisso e o cuidado com a “Casa Comum”. Mesmo o seu testemunho, locuções, escritos, reflexões servem-nos de modelo e exemplo para lutarmos por um mundo melhor, voltando-nos para os grandes desafios da atualidade e também nos aperceber do quanto sofrimento este mundo impregnado ela máquina do consumismo causa na vida de muitos de nossos irmãos e irmãs que sobrevivem em países subdesenvolvidos.

O preletor levou os presentes a compreenderem que o grande problema global atual situa-se no complexo jogo de poderes onde, a partir da falsa “desculpa” de que tudo o que é produzido hoje é extremamente necessário para suprir às necessidades dos indivíduos, a sociedade é induzida sempre mais a consumir desenfreadamente sem a menor culpa de estar produzindo lixo excedente, promovendo com isto, ainda que inconscientemente, a miséria e a exploração desenfreada dos recursos naturais.

Associa-se ainda um outro problema que impregnou a humanidade contemporânea, cujo mal causado relaciona-se ao comportamento do indivíduo ligado à sociedade de consumo. Problema que, introjetado na mente dos homens, gera um “modus vivendi” quase impossível de ser percebido pelo indivíduo sem que este tenha o auxílio de uma consciência crítica que o desperte. Mas não para por aí. A partir dos gráficos e cartogramas pode-se notar dificuldades quanto ao excesso de consumo energético global, e o mesmo pode-se dizer quanto aos produtos, em excesso, de mercado, de alimentos, de petróleo etc. Aumentos gritantes principalmente a partir da década de 1950.

Tal globalização da economia, que favorece um novo “ethos” social universal, que por vezes cega a sociedade, impedindo-a de enxergar o grande domínio imperialista exercido por países desenvolvidos sobre aqueles subdesenvolvidos, eliminando ou suplantando milhares de vidas. Estes países, dominantes do sistema de mercado global, exercem seu poder promovendo destruição e mortes por onde passam, além das gritantes desigualdades superalimentadas pelo acúmulo já alcançado pelos mesmos. Isto o comprovam os dados apresentados, demonstrativos de que sessenta e dois indivíduos têm a mesma riqueza que os 3,6 bilhões de indivíduos mais pobres do mundo. Em contrapartida somente 1% do aumento da riqueza global está distribuído entre toda a população mais pobre do mundo. Não bastasse isto, dados atuais também o demonstram claramente que oito homens possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre que a humanidade.

“Este sistema é insuportável! Exclui, degrada e mata” nos diz Papa Francisco. Quem pode “construir” uma saída para este sistema? Embora não haja ainda uma solução definitiva, existem movimentos e associações que lutam para esta mudança de mentalidade e pela defesa do planeta. Importante notar que, apesar de tanta corrupção que encontramos pelo mundo a fora, ainda temos, na figura do Papa Francisco, um líder global que toma para si a dor do povo excluído, tomando partido da defesa dos pobres e excluídos.

Por fim, o jovem apresentou também diversas provocações a partir da Encíclica Laudato Sii, inclusive fazendo menção à ferramentas e projetos atuais de evangelização, como o “Compromisso Laudato Sii”, assinado por bispos e líderes religiosos; o “Curso Laudato Sii”, promovido com a finalidade de difundir o ideal de vida proposto na Encíclica homônima, que tem circulado em paróquias e instituições do Brasil todo. Dentre os movimentos e pastorais sociais que atuam na área. Mesmo que a dimensão política já ocupe muito das preocupações do povo brasileiro, há ainda a necessidade de se observar as crises social, ambiental e econômica de nosso país.

Impossível esquecer as vozes dos muitos homens, mulheres, jovens e religiosos que clamam, ao lado do Santo Padre, por novas consciências e mudanças de atitude. Embora estes militantes deparem-se com grandes embates e críticas opostos ao seu profetismo, continuam lutando por aquilo que é, nada mais nada menos, do que o modo de ser verdadeiramente cristão. E, a partir disso, como palavra de ordem a partir desta colocação, temos: Sejamos promotores da “globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres” (Papa Francisco).

A manhã teve encerramento com as partilhas dos frades a partir das provocações do preletor, que demonstraram o quanto este tema é pertinente e precisa ser aprofundado em nossas comunidades de fé. Outro assunto compartilhado com os confrades, antes das orações finais, foi a apresentação acerca da “missão Itália” realizada pela Custódia Franciscana do Sagrado Coração de Jesus junto aos imigrantes estrangeiros na Europa, especialmente junto aos irmãos que professam a fé muçulmana. Com boas notícias quanto à preparação e dedicação que os três missionários ali residentes têm realizado para o bom sucesso da obra.

Em seguida todos se concentraram no refeitório, onde teve início o Rito de pedido, por parte de Frei José Antônio Alves de Souza, ofm, ao Frei João Antônio Veiga Bizerra, ofm e aos irmãos da Fraternidade Franciscana de Garça, para a Profissão Solene.

Equipe de Comunicação




 

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