02 de Agosto: A Família Franciscana Celebra a Festa de Nossa Senhora dos Anjos da Pociúncula

Aos pés do Monte Subásio abaixo da pequena e histórica Assis, numa planície encontramos a comuna di Santa Maria degli Angeli, que é a parte mais moderna da cidade de Assis. Ao centro da planície está a imponente e famosa Basílica de Santa Maria dos Anjos, que no seu interior conserva a igrejinha da Porciúncula. Construída em 352, por peregrinos vindos de Jerusalém, nesta igreja encontrava uma relíquia do tumulo de Maria. Foi dedicada a Maria Assunta ao céu, com isso acabou derivando o título a Santa Maria dos Anjos. Porciúncula, foi o nome dado também a ela, conforme a tradição, os beneditinos tinham vivido ali antes de se instalar no Monte Subásio, e lhes haviam dado uma pequena porção de terra para o cumprimento de suas obrigações monásticas. Por tanto, a Basílica de Santa Maria dos Anjos de imponentes dimensões, é a sétima em ordem de grandeza entre as igrejas cristãs.

A construção de uma grandiosa basílica a Nossa Senhora dos Anjos responderia ao desejo de englobar a pequena capela e os outros ambientes onde Francisco viveu, num único ambiente. E ser capaz de conter maior quantidade de peregrinos em visita a Porciúncula, restaurada por São Francisco a primeira capela de Santa Maria dos Anjos que o santo recebeu dos beneditinos. Estão ali também o primeiro convento, e a capela do trânsito, lugar onde São Francisco morreu em 4 de Outubro de 1226.

No interior da Basílica há três naves, de uma grande beleza e harmonia, e uma série de capelas laterais. No centro debaixo da cúpula, se encontra a Capela da Porciúncula, decorada externamente com pinturas de Andréa d’Assisi. No teto um tabernáculo gótico, renovado depois do terremoto de 1832. Diz a lenda, que nas vésperas de algumas solenidades, desciam de noite numerosos coros de anjos que cantavam aleluias e muitas vozes e faziam grandes festas.

Foi neste mesmo lugar que Francisco consagrou particularmente a Ordem dos Frades Menores. Francisco também recebeu a célebre indulgência do “Dia do Perdão”, celebrado anualmente a 2 de Agosto. A festa do Perdão é ainda hoje uma das mais importantes da Ordem Franciscana. Esta indulgencia foi estendida à toda Igreja Católica pelo Papa Pio XII. Diz a história: Uma noite do ano 1216, Francisco estava em profunda contemplação na pequena igrejinha da Porciúncula, quando improvisamente apareceu uma grande luz e Francisco viu sobre o altar Cristo revestido de luz e a sua direita a Mãe Santíssima cercada por uma multidão de anjos. Francisco adorou em silêncio com o rosto por terra, com isso, Jesus lhe disse: “Pede o que deseja para a salvação das almas.” Francisco, respondeu: “Santíssimo Pai, eu sei que sou um miserável e pecador, te peço para que todos os penitentes que se confessarem e irem visitar esta igreja seja lhes concedido amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas.” Jesus termina dizendo: “Isso que tu me pedes, Francisco, é grande. Porém de coisas maiores tu és digno e as terás. Acolho portanto, o teu pedido, mas que que tu peças ao meu vigário na terra (Papa), de minha parte, esta indulgência.

Frei Tomás de Celano, primeiro biógrafo de São Francisco, narra o amor do santo para com a Santa Maria dos Anjos. O santo quis que os frades venerassem de maneira toda particular e que fosse conservado como espelho de toda a sua Ordem na humildade e na extrema pobreza.

A sua devoção a Nossa Senhora o envolvia com um amor indivisível. Cantava-lhe louvores especiais, elevava o seu espirito nas orações, e a proclamava Rainha, por ter gerado o nosso irmão, o Senhor da Majestade. Com isso, colocou-a como Advogada da Ordem, protegendo com seu manto os filhos que o servo de Deus iria gerar naquele mesmo lugar.

Frei Rafael Luciano Mello, OFM

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