Solenidade da Assunção de Nossa Senhora: “Maria personifica o seu povo que canta a grandeza de Deus”

Lucas faz de Maria a profetiza que anuncia com seu cântico as maravilhas que Deus faz para o seu povo. No cântico que lemos no Evangelho, Maria personifica o seu povo que canta a grandeza de Deus. Maria encontra-se ajudando a sua prima Izabel e ocorre o primeiro encontro de Jesus com João Batista, ambos nos úteros de suas mães.

Maria proclama que Deus “olhou para a humildade de sua serva”. Isto significa que Deus não se esquece de seus filhos e filhas em sua fragilidade humana. Proclama que Deus “mostrou a sua força” e “derrubou do trono os poderosos”. Esta é uma referência clara de que Deus não quer a submissão de nenhum povo, pois com a submissão vem a falta de liberdade, as injustiças e a fome. Por isso, Ele “encheu de bens os famintos”. Este cântico da jovem Maria traz o cumprimento das promessas bíblicas com a ação concreta de Deus que salva o seu povo. Não foi apenas uma vez que o povo de Jesus precisou enfrentar a opressão e a morte. Porém, com a vinda de Jesus, o “último inimigo a ser destruído é a morte” diz São Paulo na segunda leitura.

Na primeira leitura vemos uma imagem da Igreja na figura de uma mulher. A liturgia faz a interpretação como sendo Maria, aquela que está grávida e é ameaçada pelo dragão. O autor do livro do Apocalipse fala de Igreja que é perseguida, carrega consigo Jesus ressuscitado, anuncia o seu Evangelho, o Reino de Deus, mas o Império Romano quer destruí-la. O dragão é o Império que não permite o culto ao Deus verdadeiro. É legítimo atribuir esta leitura à festa da Assunção, pois Maria, mãe de Jesus e mãe de Igreja, é aquela que trouxe ao mundo Jesus. Através d’Ele veio a ressurreição dos mortos, diz São Paulo na segunda leitura. Maria é a portadora do Deus verdadeiro que não admite a opressão do Império Romano.

Ao celebrar a Assunção de Maria todos os seguidores de Jesus são convidados a abraçar profeticamente a missão de anunciar a santidade de Deus e sua presença libertadora no meio de seus filhos e filhas ameaçados pela morte prematura. Maria mereceu ser levada para junto de Deus porque aceitou cumprir a missão de mãe, de profetiza, de serva obediente ao projeto de Deus. Seu amor foi grande a ponto de colocar-se nas mãos de Deus para que suas promessas se cumprissem para toda a humanidade.

Frei Valmir Ramos, OFM

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