Liturgia Franciscana – Parte IV: “O Jeito Franciscano de Celebrar”

Caríssimos, vamos nos dirigindo para o findar destas breves reflexões, que graças ao nosso saudoso confrade Frei Alberto Beckhauser, OFM, nos foi aberta uma intensa estrada de aprofundamento tanto no nosso carisma franciscano, como no modo de tornar célebre, ou seja, de celebrar propriamente como franciscanos.

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– PARTE IV –
(Final)

As riquezas expressas nas celebrações Franciscana

Caríssimos, todo princípio tendo a um fenecer, e o que faremos com esse fim é de escolha pessoal, podemos recomeçar ou enterrar, mudar ou permanecer.

Nosso saudoso confrade Frei Alberto Beckhauser faz uma profunda constatação que nos indaga a olharmos para o mais profundo de nossa vida, e dela recorrer a uma resposta, afirma ele que: “Toda a vida de São Francisco transformou-se numa autêntica liturgia, tanto ritual dos mistérios da salvação como a vida no serviço da caridade, no lava-pés”.

Francisco faz a integração profunda do espiritual encarnado, vivenciado e celebrado, não como algo abstrato ou distante, mas sim como algo próximo, que se pode enxergar, de fato, percebemos que o poverello de Assis via que o “Verbo se fez carne e habitou entre nós”, uma carne que pode ser tocada e que ao mesmo tempo nos toca, é quase que um enxergar que o movimento do “Amor se faz liturgia”, e sendo assim, não nos resta mais nada que Seguir e Amar.

Esse Amor que movimentava a vida de Francisco, poderíamos trazer para a nossa, enxergar de fato a beleza do que se celebra e pôr em prática o que celebramos, e não falamos aqui de regras que matam ou que cegam, falamos aqui de fé, e de fé vivenciada, amada e celebrada, Francisco parece intuir o que o CVII tanto nos diz: “A Liturgia é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força. ” 

Francisco de Assis olha para a vida de Cristo, percebe que o culto real a ser prestado é essa vida, que toca todas as criaturas, e percebe nesta grandiosidade, um imenso tesouro, quer que a experiência profunda do Cristo seja a base e o fundamento da vida da Ordem que não é sua, mas de Cristo, para que as ações dos “penitentes de Assis”, não seja outra a não ser as ações de Jesus Cristo.

De maneira mais associada, Francisco enxerga na ressurreição de Cristo, a centralidade da liturgia, que jorra como uma fonte inesgotável, olhando sempre para Jesus como sujeito e primaz da liturgia, de sua vida e de suas ações.

Que saibamos enxergar em Francisco, um caminho para melhor celebrarmos a nossa vida, a nossa missão e a nossa vocação, pois Francisco de uma maneira ou outra sempre nos apresenta a centralidade de Cristo.

Encerramos nosso percurso relembrando o como tudo começou…

“De manhã, bem cedo, foram ambos à missa. Pelo caminho juntou-se aos dois Pedro de Catânia, doutor em Direito e novo companheiro. Por três vezes abriram o livro do Evangelho, e as três respostas que encontraram foram as seguintes:

‘Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me’ (Mt 19,21).

‘Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforge, nem uma segunda túnica…’ (Lc 9,3).

‘Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me’ (Mt 16,24).

‘Isto é o que devemos fazer, e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco’ – exclamou Francisco.”

Paz e Bem!

Frei Murilo Fernando Pereira, OFM

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