8º Centenário do Encontro entre Francisco de Assis e o Sultão Al-Malik AL-Kämil

O encontro de 1219 em Damietta inspirou uma tradição de diálogo cuja importância contemporânea está se tornando cada vez mais relevante. A Pontifícia Universidade Antonianum (PUA) está empenhada em tornar cada vez mais frutífera a memória desse encontro, vendo isso como um contrapeso necessário às crises políticas e ambientais que caracterizam nossa época.

A PUA deseja incentivar encontros para reflexão e discussão em lugares de importância franciscana (tanto do passado como do presente), com foco na geopolítica da paz e da coexistência pacífica entre os povos.

Veja a programação em comemoração dos 800 anos do encontro entre Francisco e o Sultão:

  • Murcia-Granada ,  4 a 7 de março  de 2019 : Uma reflexão sobre as línguas, a cultura, e a metodologia dos encontros entre as religiões – a partir da perspectiva de Raymond Lull.
  • Veneza,  14 de março de 2019 : O Instituto Ecumênico São Bernardino conduzirá discussões sobre o aprofundamento da nossa compreensão de novas abordagens para a reciprocidade inter-religioso e ecumênico.
  • Roma, 09 de abril de 2019 : As três faculdades da Universidade Pontifícia Antonianum  irá cooperar em apresentar o tema de como a hospitalidade de Al Malik é registrado na tradição cristã.
  • Jerusalém, 15 de maio de 2019 : O foco será sobre o evento em si – o encontro entre Francisco e Al-Malik e seus desenvolvimentos historiográficos.
  • Istambul, 19 de outubro de 2019 : Os estados atuais e futuras de relações islâmico-cristão serão consideradas.

Ao cruzar as linhas do exército cruzado e envolver-se no cerco de Damietta a caminho do encontro com Al-Malik, Francisco de Assis tornou-se um emblema da possibilidade de superar barreiras entre povos, culturas e religiões. Em uma interpretação criativa, a chamada “Oração pela Paz de São Francisco” foi atribuída a ele durante as crueldades da Primeira Guerra Mundial – um espectro que surge ameaçadoramente mais uma vez. A oração também foi usada durante a reunião inter-religiosa de 1986 em Assis, e pelo Papa Francisco em Mianmar.

O evento e sua interpretação se fundiram e se fundirão, e essa interação é merecedora de um estudo avaliativo que evite cuidadosamente pressupostos positivistas ou anacronismos. A reflexão ecumênica tem sido inovadora ao ver Francisco como um ideal de reforma e renovação interconfessional nos campos humano, social, político, ético e estético.

Posteriormente, Francisco também vem exemplificar a religião que é aberta e capaz de incluir até mesmo aqueles que não se identificam com a religião institucional.

Fonte: ofm.org


Do Encontro de Francisco com o Sultão Malek-el Kamil em Diametta em 1219:

LEGENDA MENOR

9.  1 O testemunho mais convincente do amor supremo que arrebatava até Deus este amigo do Esposo, era sem dúvida o desejo do martírio. O maior anelo do coração de Francisco era oferecer-se ao Senhor como hóstia viva.

 2 Por  três vezes tentou ir para territórios de infiéis; por duas vezes a Providência divina se opôs. Só à terceira tentativa, depois de experimentar toda a espécie de vexames, depois de ser preso e espancado e passar dificuldades sem conta, conseguiu, guiado pelo Senhor, ser levado à presença do Sultão de Babilónia e anunciar- -lhe o Evangelho de Cristo com tal persuasão que o deixou maravilhado.

 3 Permitiu Deus que o Sultão acalmasse a sua ira e o escutasse complacentemente. E ao verificar em Francisco um tal entusiasmo, uma tal coragem, um tal desprezo da vida, uma eloquência verdadeiramente divina, o Sultão desfez-se em atenções para com ele: passou a tratá-lo com toda a consideração, e oferecendo-lhe valiosos presentes, convidou-o a ficar mais tempo em sua companhia.

 4 Mas o Santo, no seu sincero desprezo do mundo e de si mesmo, rejeitou como lixo tudo quanto lhe oferecia. E vendo que não conseguia levar por diante o seu intento – apesar de ter empregado com toda a sinceridade os maiores esforços nesse sentido – voltou para terras cristãs, por inspiração divina. (Da Legenda Menor de São Boaventura, Capítulo III – 9, 1-4).


 

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