Vocação Sacerdotal: Frei Mauro, Frei Nivaldo e Frei Valmir celebram o Jubileu de Prata!

Frei Mauro Luís de Oliveira, OFM (04/02/2019)

Frei Nivaldo Pasqualin, OFM (21/01/2019)

Frei Valmir Ramos, OFM (28/01/2019)

Um senso de profunda gratidão inunda nosso coração pela certeza do chamado de Deus para que fôssemos sacerdotes, servidores do Reino de Deus no meio de seus filhos e filhas.

Há 25 anos recebemos o sacramento da Ordem sacerdotal que é definido como o “sacramento do ministério apostólico” (cf. Catecismo n.1536). Por este sacramento Deus nos fez servidores dos seus mistérios e construtores do seu Reino. É uma missão que Ele nos confiou mesmo sabendo de nossas fragilidades. Quando percebemos o chamado de Deus, nos perguntamos: “por que eu, com meus limites e minhas fragilidades?”. Nunca tivemos uma resposta, mas o chamado continua ecoando, pois é um chamado eterno. O Frei Roque Biscione (1915-1978), missionário em nossas terras, assim se expressou num poema para falar de sua vocação:

E te encontrei a Ti, dono do céu,

carregando na terra nossa cruz!

Atende a minha súplica Jesus:

eu quero é ser teu pobre Cirineu!

Como batizados, já somos chamados ao sacerdócio, como vemos no ensinamento da Igreja, que todos os batizados “exercem o sacerdócio batismal através da participação, cada qual segundo a sua vocação própria, na missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei” (Catecismo n.1546). O Papa Francisco ensina que “o sacerdócio ministerial é um dos meios que Jesus utiliza ao serviço do seu povo, mas a grande dignidade vem do Batismo, que é acessível a todos” (EG 104). Então o chamado que recebemos é para servir os irmãos e irmãs neste mundo às vezes conturbado e às vezes cheio de sofrimentos. E o mesmo Papa Francisco afirma que “todos os cristãos, incluindo os Pastores, são chamados a preocupar-se com a construção dum mundo melhor” (EG 183). A ideia é que as pessoas possam viver dignamente e felizes com gosto pela vida.

O sacerdote é evangelizador e segue o Mestre Jesus, “o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa, que identificou-Se especialmente com os mais pequeninos (cf. Mt 25, 40). Isto recorda-nos, a todos os cristãos, que somos chamados a cuidar dos mais frágeis da Terra” (EG 209). Também somos frágeis, mas Deus nos escolheu, nos consagrou e nos enviou à missão. “Pequenos mas fortes no amor de Deus, como São Francisco de Assis, todos nós, cristãos, somos chamados a cuidar da fragilidade do povo e do mundo em que vivemos” (EG 216). É uma missão árdua, mas Aquele que nos chama nunca nos abandona. É preciso colocar-se nas suas mãos e contar sempre com a sua força fazendo renúncias e até sacrifícios.

Em um poema bonito, o Frei Francisco de Medeiros (1932-1994) menciona o que é necessário para responder ao chamado de Deus ao sacerdócio em uma estrofe de “Versos a Frei Clemente Grassi”:

Mas, para um franciscano, o sacrifício

faz parte da sagrada vocação,

porque ao deixar aos seus já é indício

de renúncia e total abnegação.

De fato, o seguimento de Jesus se dá quando existe um amor grande, capaz de entregar-se a Ele, à missão, ao ministério, e colocar-se a serviço indo ao encontro das pessoas, lá onde vivem, trabalham, sofrem e, às vezes, necessitam da presença real de um servidor. Esta compreensão é expressa pelo Papa Francisco quando fala de “uma Igreja em saída” formada por discípulos missionários (cf. EG 24). Nunca, porém, o sacerdote pode deixar de encontrar-se pessoalmente com Jesus para não cair no desequilíbrio da vida espiritual e apostólica. Deste equilíbrio fala o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica “Gaudete et exsultate” (Alegrai-vos e exultai): “Não é saudável amar o silêncio e esquivar o encontro com o outro, desejar o repouso e rejeitar a atividade, buscar a oração e menosprezar o serviço. Tudo pode ser recebido e integrado como parte da própria vida neste mundo, entrando a fazer parte do caminho de santificação. Somos chamados a viver a contemplação mesmo no meio da ação, e santificarmo-nos no exercício responsável e generoso da nossa missão” (GE 26).

De São Francisco de Assis aprendemos que Jesus se faz presente especialmente através da Palavra e da Eucaristia. Por isso ele insistia para os freis e todas as pessoas honrassem os sacerdotes por causa do “ministério que eles têm do santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Admoestações 26). Ao mesmo tempo São Francisco suplicava aos sacerdotes para que fossem santos, para oferecerem “com reverência o verdadeiro sacrifício do santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo… desejando agradar unicamente ao mesmo Senhor altíssimo” (Carta a toda Ordem).

Nos 25 anos de serviço, somos gratos a Deus, à Igreja, aos confrades e a todas as pessoas que fizeram e fazem parte de nossa vida sacerdotal apostólica, que rezam por nós e colaboram conosco na missão. E como sacerdotes, suplicamos a Deus todas as bênçãos sobre cada irmão e cada irmã de nossas comunidades e obras sociais nas quais servimos e somos servidos.

Frei Valmir Ramos, OFM

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