1º Domingo da Quaresma: “O povo deveria recordar-se do Deus libertador que não o abandona”

Os evangelistas narram que depois de receber o batismo Jesus foi para o deserto onde esteve por 40 dias. Mateus e Lucas narram que neste período Jesus superou as tentações promovidas pelo diabo, o “acusador”, o “adversário”, o “caluniador”. São Lucas diz que Jesus estava “cheio do Espírito Santo” que é a força criadora de Deus, e este Espírito está sempre com Jesus que sai vencedor das tentações.

Os quarenta dias são simbólicos e lembram os 40 anos que o povo hebreu passou pelo deserto saindo da escravidão do Egito e entrando na terra prometida. A primeira leitura mostra como o povo deveria recordar-se do Deus libertador que não o abandona e quer salvá-lo de toda ameaça contra a sua vida e a sua dignidade. Os autores do livro do Deuteronômio indicam o “credo” a ser professado recordando que “o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa” e depois a oferta de louvor a Deus que lhe deu terra e alimento. Os 40 anos deram oportunidade para os hebreus conhecerem melhor o Deus verdadeiro e formarem-se como povo unido também pela religião.

Jesus passa pelo deserto jejuando e preparando-se para a sua missão pública. Sofre as tentações que são também as tentações que sofremos: transformar a pedra em pão pode ser entendida como a tentação do materialismo, pensando que nem é preciso cuidar do espiritual, nem viver os valores verdadeiros, nem agir para fazer crescer a alma humana; “não só de pão vive o homem”. Adorar o diabo e tomar posse do mundo é tentação do poder, na qual tantos de nós caímos por querer dominar e comandar os outros, possuir coisas e bens capazes de nos colocar acima dos outros e ter poder sobre eles; “adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”. Atirar-se do alto do templo é a tentação de colocar-se no lugar de Deus para mudar a ordem da natureza, seja acreditando que somos “donos” da natureza e por isso fazemos o que queremos, seja por exigir que Deus faça a nossa vontade; “não tentarás o Senhor teu Deus”.

A Igreja nos oferece a oportunidade de também percorrermos um caminho de 40 dias no deserto para fortalecermos nosso espírito, superar as tentações e, finalmente, professar que “Jesus é o Senhor”, que “Deus o ressuscitou dos mortos”. Assim a Páscoa será uma festa de compromisso com a vida e com Jesus ressuscitado para viver mais e melhor o amor a Deus e aos irmãos e irmãs.

Frei Valmir Ramos, OFM

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