São Francisco, o dia de Santa Maria e a indulgência do Perdão de Assis

“Ego vos omnes mittere voo para paradisum”, (“Eu quero levá-los todos para o céu”), assim gritou o bem-aventurado Francisco ao reencontrar os frades depois de pedir a Indulgência para aqueles que peregrinassem à igrejinha de Santa Maria no dia a ela consagrado. Bartolomeu de Pisa (? – 1347), hagiógrafo dominicano da Itália que escreveu a vida de São Francisco, a origem da Indulgência da Porciúncula aconteceu assim:

Era o início do ano do Senhor de 1216, Francisco estava entregue na oração e na contemplação na igreja de Santa Maria dos Anjos – Porciúncula – , quando de repente apareceu-lhe uma forte luz sobre o altar, nela vinham-lhe de encontro o Cristo e sua Mãe Santíssima, uma multidão de Anjos os rodeava. Atônito, em grande êxtase, Francisco lançou-se por terra em adoração ao Senhor! Em julho de 1216, Francisco consegue do Papa Honório III a Indulgência ou o Perdão da Porciúncula.

Desta visão saia uma voz que perguntava a Francisco o que ele mais desejava para salvação das almas. A resposta do santo homem de Deus foi imediata: “Santíssimo Pai, apesar de eu ser um miserável e pecador, te peço que todos quantos, arrependidos e confessados, vierem a visitar esta igreja, conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas. Aquilo que tu pedes, ó irmão Francisco, é grande – lhe disse o Senhor – , mas de maiores coisas é digno e maiores coisas terás. Acolho portanto o seu pedido, mas a condição é que você peça também ao meu vigário na terra, o Papa; de minha parte, eu te concedo esta indulgência”.

Deste modo, inspirado por Deus, Francisco se apresentou de imediato ao Pontífice, Papa Honório III, que naqueles dias se encontrava em Perugia e lhe contou a visão que teve. O Papa atento e confiando em suas palavras, deu a sua aprovação. Depois indagou o santo homem: “Por quantos anos você quer esta indulgência?” Ao que imediatamente ouve da parte de Francisco: “Pai Santo, não pergunto anos, mas almas”. A isto o Pontífice, chamando-o, retrucou: “Como? Não quer nenhum documento?”. E Francisco: “Santo Pai, a mim basta a sua palavra! Se esta indulgência é obra de Deus, Ele pensará a manifestar a sua obra; eu não tenho necessidade de nenhum documento; esta carta deve ser a Virgem Maria, Cristo o tabelião e os Anjos, as testemunhas”. E mais tarde junto aos Bispos da Úmbria e ao povo, disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao Paraíso!”. Tais testemunhos foram narrados pelos freis após a morte do santo e, ainda hoje, leva muitos à peregrinações e à penitência no dia dois de agosto.

A Supracitada igreja fizera parte de momentos na vida de Francisco e das três ordens fundadas por ele, tornando-se o coração de todos os franciscanos e franciscanas: foi o lugar da experiência primitiva de Fraternidade; lugar que o próprio Francisco reconstruiu com as próprias mãos; era um local próximo aos bosques e próximo aos leprosários; constituído de pequenas celas ao redor da igrejinha para a moradia dos frades, era ponto de encontro fraterno; ali se deu o primeiro encontro com o Evangelho, o encontro do rumo definitivo na vida por meio das intensas orações; ali acolheu como moradia os primeiros companheiros Bernardo e Pedro; dali Bernardo, Pedro, Egídio e Francisco partem para a primeira missão; pode-se dizer que a fraternidade cresce e encontra ali o seu espaço e o seu ponto de referência; foi também o local onde, no dia 19 de março de 1211/1112, chegou a nobre jovem Clara de Favarone, que consagrou-se a Deus rodeada dos frades; foi um lugar muito apreciado por Francisco e os irmãos; era o lugar dos Capítulos, ali se realizou o famoso Capitulo das Esteiras; sendo o lugar de encontro, Clara visitou Francisco nesta igreja, onde comem juntos num luminoso banquete espiritual, visto por toda a cidade de Assis; mesmo sendo lugar sagrado, onde somente os freis tinham acesso, a irmã Jacoba de Settesoli, amiga de Francisco, chegando pouco antes de sua morte, trouxe-lhe atenção e afeto materno; por fim, neste local, Francisco entrega-se definitivamente a Deus por meio da irmã morte corporal.

Este apreço pela Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, sinal visível de uma devoção especial nutrida por São Francisco à Mãe de Deus, levou o mesmo a buscar graças de Deus para aqueles que peregrinassem até a ela, e às igrejas e capelas dedicadas à Virgem neste mesmo dia. Pedro Zalfani, presente à cerimônia de consagração da mencionada igreja no dia 2 de agosto, ouviu o próprio bem-aventurado Francisco, que pregava diante daqueles sete Bispos, segurando na mão um documento e dizendo, diante do Ministro frei Ângelo, de frei Bonifácio, frei Guido, frei Bartolo de Perugia, e outros frades: “Quero mandar-vos todos para o céu. Anuncio-vos a indulgência que recebi da boca do sumo pontífice: todos vós que hoje vindes e todos aqueles que virão cada ano, neste dia, com um coração bom e contrito, obterão a indulgência de todos os seus pecados”.

O Diploma de Theobald (1310), bispo de Assis, no início do século XIV foi a forma encontrada pelo povo de Assis para preservar a história deste lugar, sua importância e força espiritual; isto garantiu a defesa do mesmo e desta indulgência espiritual dos muitos ataques céticos e questionadores de sua autenticidade. Inúmeros são os testemunhos de peregrinações a esta igreja em busca de perdão desde os tempos de Francisco, e logo após a sua morte mais ainda. A igrejinha de Santa Maria, tornando-se pequena para o número de pecadores que a procuram, acabou por tornar-se local da Misericórdia infinita de Deus.

O perdão de Assis, ou a indulgência da Porciúncula, assim conhecida é um grande dom obtido por Francisco, um dom que é um presente também para cada um de nós: o da indulgência plenária. Através das indulgências o Papa e os Bispos colocam a disposição dos fiéis um tesouro da misericórdia de Deus manifestada ao mundo pela Paixão e Morte de Jesus Cristo, que na Páscoa realizou a plena reconciliação.

 

Condições para receber a indulgência plenária do perdão de Assis.

  • Confissão sacramental para estar na graça de Deus (nos oito dias antes ou depois);
  • Participação à Missa e Comunhão eucarística;
  • Visita à igreja da Porciúncula, ou qualquer igreja paroquial ou santuário franciscano, onde se renova a profissão de fé, mediante a reza do CREDO, para reafirmar a própria identidade cristã;
  • Rezar o Pai-Nosso, para reafirmar a própria dignidade dos filhos de Deus, recebida no Batismo;
  • Uma oração segundo a intenção do Papa, para reafirmar a própria pertença à Igreja, cujo fundamento e centro visível de unidade é o Romano Pontífice.
  • Uma oração pelo Papa.

 

Em louvor de Cristo. Amém!

Frei Everton Piôtto, OFM


Como São Francisco pede e obtém a indulgência do perdão

Uma noite do ano do Senhor de 1216, Francisco estava entregue na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula, quando de repente apareceu na igrejinha uma forte luz e Francisco viu sobre o altar o Cristo revestido de luz e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundados por uma multidão de Anjos. Francisco adorou em silêncio com o rosto em terra ao seu Senhor!

Perguntou-lhe então que coisa desejaria para a salvação das almas. A resposta de Francisco foi imediata: “Santíssimo Pai, apesar de eu ser um miserável e pecador, te peço que todos quantos, arrependidos e confessados, vierem a visitar esta igreja, conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.

“Aquilo que tu pedes, o frade Francisco, é grande – lhe disse o Senhor – , mas de maiores coisas é digno e maiores coisas terás. Acolho portanto o seu pedido, mas a condição é que você pergunte ao meu vigário na terra; de minha parte, eu te concedo esta indulgência”.

E Francisco se apresentou de imediato ao Pontífice Honório III que naqueles dias se encontrava em Perusa e com candura lhe contou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e depois sem alguma dificuldade deu a sua aprovação. Depois disse: “Por quantos anos você quer esta indulgência?” Francisco disparando respondeu: “Pai Santo, não pergunto anos, mas almas”. E feliz se virou rumo à porta, mas o Pontífice o chamou: “Como? Não quer nenhum documento?”. E Francisco: “Santo Pai, a mim basta a sua palavra! Se esta indulgência é obra de Deus, Ele pensará a manifestar a sua obra; eu não tenho necessidade de nenhum documento; esta carta deve ser a Virgem Maria, Cristo o tabelião e os Anjos, as testemunhas”. E algum dia mais tarde junto aos Bispos da Ùmbria, ao povo vindo à Porciúncula, disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao Paraíso!”

 

Condições para receber a indulgência plenária do perdão de Assis.

  • Confissão sacramental para estar na graça de Deus (nos oito dias antes ou depois);
  • Participação à Missa e Comunhão eucarística;
  • Visita à igreja da Porciúncula, ou qualquer igreja paroquial ou santuário franciscano, onde se renova a profissão de fé, mediante a reza do CREDO, para reafirmar a própria identidade cristã;
  • Rezar o Pai-Nosso, para reafirmar a própria dignidade dos filhos de Deus, recebida no Batismo;
  • Uma oração segundo a intenção do Papa, para reafirmar a própria pertença à Igreja, cujo fundamento e centro visível de unidade é o Romano Pontífice.
  • Uma oração pelo Papa.

O perdão de Assis, ou a indulgência da Porciúncula, assim conhecida é um grande dom obtido por Francisco, um dom que é um presente também para cada um de nós: o da indulgência plenária. Através das indulgências o Papa e os Bispos colocam a disposição dos fiéis um tesouro da misericórdia de Deus manifestada ao mundo pela Paixão e Morte de Jesus Cristo, que na Páscoa realizou a plena reconciliação.

Frei Fernando Aparecido dos Santos, OFM
Custódio

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