O novo horizonte teológico para a ética social cristã

Para Vidal, só tem sentido falar de Moral Social cristã na perspectiva de uma ética que estimula a prática da justiça e nos insere num horizonte. Por isso, a ética da Moral Social abordada por Vidal possui algumas características, que emergem de uma sociedade pluralista, bem como de um novo horizonte teológico. Em primeiro plano, a necessidade de uma conversão à verdade da Moral Social, ou seja, ela não se identifica com o monopólio do poder, que aparentava um estado de segurança e tranqüilidade sustentados por um poder autoritário e desumano. A ética também não significa supremacia de uma potência militar sobre outra à custa da justiça. É preciso que os acordos e pactos, entre as nações, correspondam às expectativas, muitas vezes, frustradas de uma maioria reduzida a condições mínimas de sobrevivência. A Moral Social plena e autêntica, segundo Vidal, está alicerçada sobre a bondade, fruto da partilha. Diz Vidal:

“O papel da moral cristã consiste em contribuir com o enfoque, com o dinamismo da caridade, com a força da graça cristã no interior desses mesmos fatos para extrair melhor seu profundo sentido e oferecer-lhes a possibilidade de superar”. (VIDAL apud DELHAYE, 1986, p.65)

Vidal destaca, também, o cultivo de valores da liberdade social e da justiça socioeconômica, como fundamentos imprescindíveis, que estão em consonância com os direitos humanos. Estes se expressam através de uma economia, onde a pessoa seja o princípio e o fim de todos os projetos. Sobre este aspecto Marciano Vidal se apóia no documento do episcopado latino-americano aprovado em Medellín, que afirma a necessidade da justiça que consiste no respeito à dignidade da pessoa. Desse modo, não se pode ver os homens como objetos da história, mas agentes. A Moral, porém, não se limita a uma justiça rigorista, ela se alimenta da caridade. O amor fraterno deve ser a mola que impulsiona os homens a trabalhar pelo bem da Moral, pois ela é uma conquista continua da humanidade. Existe sempre a exigência de uma renovada ordem social, que substitua as injustiças e as opressões por estruturas que promovam o bem estar e a segurança de todos. A esse respeito o Magistério Eclesial vem questionando a hodierna “ordem social”, que, em meio aos avanços da técnica e da ciência, apresenta-se incapaz de promover uma justa convivência entre as pessoas e os Estados. É por isso que a teologia, em suas diferentes variações, e com suas tonalidades diversificadoras em cada variante, realçam um conjunto de aspectos que não podem ser esquecidos pela social cristã.

O progresso contribui para a civilização do Amor, na medida em que se abre para a solução dos problemas sociais como: moradia, desemprego, saúde e educação. O avanço técnico-científico deve favorecer a humanização da sociedade, proporcionando alívio e esperança, sobretudo, para as camadas sofridas da população. A Moral cristã implica num esforço assíduo de adaptação às novas mudanças e circunstâncias do mundo sempre em transformação. Esta capacidade inventiva não se restringe apenas à reestruturação dos diversos setores da sociedade, ela requer uma conversão interior. Por isso, aquele que trabalha em prol da ética deve buscar, antes de tudo, a ética consigo e a eticidade com Deus, sem as quais não se pode falar de ética social nem muito menos de ética internacional.

Outra característica da Moral Social é o empenho cívico-cultural, que tem presente a riqueza e o valor imprescindível das chamadas éticas da Moral. Cada uma delas, a seu modo, pode e deve corroborar com a realização da Moral. Dessa maneira, é preciso criar e valorizar, naqueles que fazem parte das fileiras das forças armadas, a mentalidade de que as suas funções não devem estar voltadas para a promoção da guerra, mas para a consecução e a conservação de todos. As táticas e os aparatos militares não devem ser vistos como expressões de força e violência, mas como estratégias e instrumentais da ordem. Isso significa que o apreço pela Moral se manifesta pelo exercício responsável da partilha.

Assim sendo, averígua-se pelo texto “o novo horizonte teológico para a ética social cristã”, que a função dos políticos de promover uma Moral igualitária, através dos programas de governo, que favoreçam o bem comum e a justa distribuição da renda, constitui outro aspecto que deve ser ressaltado. Por isso, acertadamente, afirma-se que os governantes traem os interesses da população e, por conseguinte, tornam uma ameaça para a Moral Social, quando movidos apenas pelo desejo de poder e vanglória, resolvem deliberar a favor das guerras, comprometendo a integridade física e moral de seus súditos. Essa, por certo, é uma grave injustiça que põe por terra todas as iniciativas em prol de uma Moral Social que está a serviço dos menos desfavorecidos, é como diz, enfim, Vidal: “o compromisso social da Igreja é uma urgência de todos os que integram a comunidade eclesial: hierarquia, sacerdotes, religiosos e seculares” (VIDAL, 1986, p. 71).

Frei Carlos Eduardo de Sousa, OFM

Fonte (Imagem): domtotal.com


Referências Bibliográficas

VIDAL, Marciano. Aparecida, SP : Santuário, 1986. 3v. Language: Portuguese, Base de dados: SIB PUC Minas – Busca Integrada



 

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