“Animação vocacional: Uma igreja próxima não produz rejeição”, foi o tema do 4º dia do Congresso Continental para Formadores

Não foi feriado, neste 7 de setembro, para os 67 formadores franciscanos que participam do Congresso Continental da Ordem dos Frades Menores, no Centro da Sagrada Família, no bairro do Ipiranga (SP). O Dia da Pátria foi lembrado em muitos momentos do dia com orações, especialmente na Santa Missa presidida pelo frade argentino Ramiro de la Serna. No altar, a imagem de Nossa Senhora Aparecida e a Bandeira do Brasil lembraram a data festiva nacional.

Depois de se debruçarem sobre temas como acompanhamento na vida fraterna, a formação dos frades depois dos votos solenes, o guardião e a formação de seus frades, neste quarto dia os congressistas ouviram Frei Ramiro falar sobre a promoção vocacional e, durante a tarde, trabalharam o tema em grupos .

Frei Ramiro de la Serna ingressou na Ordem dos Frades Menores aos 22 anos. Foi formador de religiosos jovens e logo se tornou Provincial dos frades da Província São Francisco Solano. Desde 2008 integra a Fraternidade da Casa de Jovens “Hermano Francisco”, em Moreno, dedicada especificamente à pastoral juvenil, e também faz parte da Fundação Franciscana, expressão de presença e compromisso social com muitos jovens leigos na região metropolitana da capital argentina. Lançou o livro “Desenterrando Deus”, e todo o dinheiro da venda desta obra foi revertido para a Fundação.

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Para começar a falar sobre o tema, Frei Ramiro fez uma recapitulação detalhada dos documentos que emergiram da Ordem para esta importante fase da vida religiosa consagrada. “Ao longo do tempo, vimos a constante preocupação e intervenção dos diferentes governos gerais em relação ao tema da Formação Permanente e da Pastoral das Vocações. Se detivermos nos últimos 50 anos, veremos que a Ordem insistiu de muitas maneiras, com diferentes meios, na abordagem dessas duas realidades”, disse.

Para Frei Ramiro, esses documentos possibilitaram à Ordem um reencontro com as Fontes e é inegável o crescimento interno dela, além de um maior diálogo com o contexto eclesial, social e histórico em que nos movemos. “Não duvido que avançamos muito, mas devemos recuperar a reflexão, a vida compartilhada e também nos perguntar por que algumas indicações são repetidas ao longo dos anos, sem produzir a transformação esperada”, observou.

Segundo o frade, sem a formação permanente não existe possibilidade real de uma verdadeira vocação pastoral e de uma profunda experiência na proposta vocacional. “Pode haver vocações que sustentem a instituição, mas não há garantia que sustentem e transmitam o carisma”.

Frei Ramiro partiu da dinâmica do “venham e vejam” (Jo 1, 39), para fundamentar sua proposta: “Temos de construir, apoiar, fortalecer pequenas experiências, ‘estruturas que dão sentido’”, disse. Para ele, são fraternidades que expressam paixão pela vida consagrada, paixão pela vida entregue a Deus e aos irmãos. “Não falo de fraternidades perfeitas ou santas, falo de estruturas fraternas dinâmicas que dão vida, que refletem o sentido de consagração. Não será isso que intuiu o grande ex-Ministro Geral Giácomo Bini, quando ele terminou o seu generalato, e constituiu a fraternidade de Palestrina como uma fraternidade de ‘doadora de sentido’? Ele não se dedicou a palestras e pautas de animação, mas estabeleceu uma fraternidade medular, doadora de sentido”, explicou, definindo essas fraternidades como medulares.

“Podem ser fraternidades que aprofundam a dimensão contemplativa, missionária, capaz de receber o jovem e o irmão que busca. Fraternidades que ‘refresquem e descansem’ a vida provincial”, acrescentou, reforçando: “Pequenas fraternidades que expressem paixão pela vida, uma vida que contagia, que se irradia (não que se prega ou se faz por panfletos)”.

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Segundo o frade, o trabalho vocacional é atrair o jovem para essas fraternidades e espaços medulares, que o ajudarão a se questionar e a experimentar o que a Fraternidade quer apresentar a ele.

Frei Ramiro abordou vários pontos do tema, mas também enfatizou muito a proximidade com os jovens. Mostrou através de dados estatísticos que o jovem dá mais valor à fé do que à religião. Ele citou o sociólogo espanhol Javier Elzo para lembrar que “se confia mais na Igreja quanto mais contato se tem com ela”. Para Elzo, “a rejeição da igreja é diretamente proporcional ao seu afastamento”.

“Isso mostra que quanto mais se está perto do povo, mais aceitação e valorização tem o consagrado. Os jovens que mais desvalorizam o eclesial são aqueles que tiveram menos contato”, observou Frei Ramiro.

Para ele, uma Igreja próxima não produz rejeição. Mas ressaltou que é preciso estar perto e visivelmente. “Deveríamos reformar profundamente os sinais de visibilidade”, propos o frade, exemplificando com o fato ocorrido aqui no Brasil quando perguntaram a ele, vendo-o com o hábito, se era da Toca de Assis.

“Perto e visível como um irmão menor e pobre. Talvez seja hora de passar de uma Igreja Mãe e Mestra para uma Igreja irmã e companheira. Uma igreja próxima. Um consagrado próximo produz aceitação, é valorizado”, enfatizou.

Para Frei Ramiro, todos sabemos que a vocação é um dom, mas “também uma resposta que se constrói diariamente”.

Nos grupos, Frei Ramiro propôs as seguintes perguntas para estudos: Que estratégias, atitudes, propostas temos para os jovens que nos procuram? Que estratégias, atitudes, propostas temos para sair ao encontro dos jovens.  Na sua Província / Custodia seria possível uma dessas fraternidades medulares? As conclusões foram apresentadas às 17h00.

Amanhã, dia 8, Frei Cesare Vaiani preside a Eucaristia e o Comitê Diretivo apresenta em Assembleia uma declaração que resume os trabalhos em grupo. À tarde, os frades farão uma visita ao Centro antigo da cidade de São Paulo, incluindo o Convento São Francisco, que neste ano celebra 370 anos de fundação, além do Mosteiro da Luz, onde conhecerão o túmulo do primeiro santo brasileiro, Frei Galvão. O encontro termina no sábado, 9 de setembro, com a Eucaristia, presidida por Frei Sinisa Balajic, o Vice-Secretário Geral para Formação e Estudos.

Moacir Beggo

Fonte: franciscanos.org.br




 

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