“Francisco e Clara”, uma reflexão do Padre Zezinho, SCJ

Os jovens pobres e ricos do início do século XIII também sentiam vazios, também tinham sonhos e também não achavam a Igreja perfeita .

Havia católicos bons e católicos maus. Lutero, Calvino e Swinglio ainda não tinham nascido para inaugurar outro jeito de ser igreja cristã! Também eles estavam insatisfeitos .

Esqueçam os romances floreados nos quais o herói e a heroína se apaixonam perdidamente. Francisco não estava apaixonado por Clara de Ofreducio nem ela por ele. E os jovens companheiros de Francisco não disputavam os beijos nem a atenção de Clara e de suas irmãs. Pode até que tenha havido alguns olhares. Dizem que elas eram lindas . E daí?

A inquietação daqueles jovens tem muito dos jovens de agora. Queriam mudança. Alguns iam para as guerras regionais outros se alistavam em busca de salários. Poucos jovens eram ricos; a maioria era pobre. Francisco era rico. Clara também !

O que aconteceu com eles e seus companheiros e companheiros não era e não é comum. Queriam algo mais para suas vidas. Suas riquezas não preenchiam suas vidas .

Não culpemos o pai nem a mãe De Francisco, nem os pais de Clara. Na cabeça deles não cabia outro tipo de vida senão a que quiseram dar aos filhos . Era o que sabiam fazer.

A inquietação no século XIII era a mesma “Weltanshaung ” do século XIX descrito nos livros da época. Não estavam felizes com os rumos que o mundo tomara.

Hoje os jovens querem Maomé e se alistam no Estado Islâmico ou na Al Qaeda. E matam se for preciso, mas querem mudar o mundo de maneira heróica, inútil, mas espetacular por que o mundo inteiro os teme. Acham que mudarão o mundo. E acham que o mundo se dobrará a eles.

Outros jovens aderem à direita ou à esquerda combatente a belicosa e barulhenta e politicamente assustadora. Mas parece que nem eles sabem ler suas inquietações.

Francisco escolheu viver com os pobres e como os pobres imitando Jesus. Sua inquietação era mais religiosa do que social. Não quis mudar o mundo, mas quis mudar a si mesmo. E solidarizou-se com os pobres do seu tempo. E valorizou a mãe Terra. Mas Jesus foi o seu modelo. Quis amar como Jesus amou.

Pensei ontem em Assis onde já fui muitas vezes. Fiz reflexão lá aos 25 anos de padre e agora aos 51. É muito difícil imitar Jesus de Nazaré, imitar Francisco de Assis, e imitar Bergoglio: o papa argentino também chamado Francisco de Buenos Aires e de Roma.

Mas podemos tentar seguir seus exemplos. Francisco de Assis e o Papa Francisco não eram e não são deuses, mas Jesus, pelo que li na Bíblia e no Novo Testamento, é mais do que um forte profeta judeu. O seu conceito de filho ultrapassa tudo o que se pode saber de humanidade. Creio que Jesus é o Filho! Acho que estes dois Franciscos apontam para Ele, que há 2 mil anos veio apontar o Pai e ensinar-nos como podemos e devemos ser filhos com Ele.

Para mim, isto é catequese católica!

 Padre Zezinho, SCJ

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