Frades participam das celebrações dos 500 anos da Reforma Protestante em Marília/SP

Comunidade Evangélica Luterana de Marília comemora os 500 anos da Reforma Protestante em clima de comunhão

A comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante, celebrada por todos nossos irmãos luteranos, na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em Marilia, se deu num clima festivo, oracional e de encontro. No culto presidido pela pastora luterana Paula e pelo pastor da Comunidade da cidade de Assis, Luís Timóteo, a comunidade orante entoou o seu louvor e cantou a Deus, a partir da Palavra e da alegria de sua fé.

A participação de outras denominações eclesiais neste culto – católicos, protestantes tradicionais, visitantes e fiéis – se deu num clima misto de amor fraterno e desejo de saborear a Palavra de Deus nas mãos de cada um e, após, na partilha de dons, todos se saciaram com um lanche fraterno. A proximidade e grande acolhida recordam a mesma acolhida e proximidade de Jesus aos estrangeiros da Samaria e adjacências, enquanto a própria cultura judaica os abominava como não-eleitos para a Salvação do Deus Redentor.

É bem costumeiro pensar na comemoração como revolução, rebeldia e tantos outros adjetivos. Comemoração digna de pura indignação pelas teses contundentes ao magistério da Igreja e ao seu Sumo Pontífice. Os ares fortes da História nos deixam insatisfeitos por inúmeras perguntas e com as mais diferentes opiniões, porém é preciso concluirmos que é uma moeda sem distinção de frente e verso. O que está em nossa frente é cara ou coroa? O que nos leva a concluir isso? Lembremos das palavras do nosso Papa Francisco quando reconhece a necessidade de partirmos sempre de nossas convergências, de coisas em comum, para uma atual cultura do encontro. O ensinamento de Jesus no Evangelho é acolher o irmão diferente em sua cultura, situação, etnia, classe ou opinião, propondo a Boa-Nova que é para todos como centro de nossa fé e da salvação do mundo. Acolher significa amar outro na forma de sua expressão de fé, com autenticidade e vivacidade, tal como Jesus, deixando aberta as “portas” para o encontro e o diálogo que enriquece a vida cristã madura e firmada no Evangelho e não em leis enrijecidas que subvertem a Tradição, pois a vontade de Deus é colocar em nosso peito um coração de carne que observe suas leis, pois o amor é o cumprimento da Lei (cf. Ez 36, 26).

Assim como o pastor iniciou sua homilia na história da mulher africana questionada sobre andar sempre com a Bíblia – “Este livro é diferente de todos os outros: aqueles eu leio, este aqui, me lê!”, saibamos aproximarmos de Jesus que clarifica nossa fé e nosso ser Igreja, desejando abraçar tudo o que somos convidados a viver cada qual em seu credo, com muito amor, concórdia e humildade para encontrarmos os outros irmãos e oferecermos o Evangelho de Jesus Cristo – Evangelho que não nos afasta, mas nos aproxima para a unidade.

O Senhor vos dê a paz!

 Frei Luciano Souza da Cruz, OFM




 

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