Deus mesmo revela-se ao seu povo no Antigo Testamento e faz um convite a todos: “sede santos como eu sou Santo” (cf. Lv 11, 44). O termo “santo” vem de uma palavra em hebraico e significa o que é separado daquilo que não é de Deus. A ideia é a de almejar e alcançar a perfeição de Deus. No Evangelho de Mateus, seguindo o texto desta celebração, encontramos a expressão “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celeste” (cf. Mt 5, 48). O significado do “perfeito” é relacionado à integridade, à fidelidade a Deus e à sua vontade.

Refletindo assim entendemos a celebração dos Santos, isto é, pessoas que se colocaram no caminho de busca da perfeição e foram fiéis a Deus e à missão de realizar ações concretas de amor ao próximo. Alguns foram testemunhas entregando a vida no martírio, outros na construção do Reino, na evangelização, outros no amor misericordioso e sem limites para com os sofredores, outros ainda se dedicando às coisas de Deus no silêncio e na mais alta humildade. Em uma palavra, os santos são aqueles capazes de viver plenamente a fidelidade e o amor a Deus e ao próximo.

Jesus indicou o caminho de santidade ensinando as bem-aventuranças. Em Mateus (cf. Mt 5,1-12) lemos: “pobres de espírito”, “aflitos”, “mansos”, “famintos e sedentos de justiça”, “misericordiosos”, “puros de coração”, “promotores da paz”, “perseguidos por causa da justiça”, “fiéis na perseguição”. Se no Antigo Testamento Deus convidou o seu povo a ser santo, no Evangelho Jesus convida os cristãos a seguirem o caminho das bem-aventuranças para serem santos e participarem do Reino de Deus. É um caminho de comportamento sensível às necessidades dos outros, sem fechar-se no egoísmo, sem prepotência, sem desejo de vingança e, ao contrário, fiel a Deus e sentindo-se responsável pela vida em plenitude de todos os outros.

Em nossos dias temos muitos santos e santas “anônimos” no mundo. São pessoas que vivem a vontade de Deus, fazem tudo pelos outros, entregam-se para que outros tenham vida plena, dedicam-se silenciosamente na construção da paz, agem sempre com coração diante das pessoas, mesmo as pecadoras… Todos são santos, “uma multidão incontável” como lemos na 1ª leitura (cf. Ap 7,2-4.9-14). Todos aqueles reconhecidos pela Igreja e todos estes recebem o “dom de serem filhos de Deus” que São João anunciou na 2ª leitura (cf. 1Jo 3,1-3) e, por isso mesmo, bem-aventurados.  

PAZ e BEM!

Frei Valmir Ramos, OFM

Fonte (imagem): www.asomadetodosafetos.com

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