Missa é para ser “curtida”

“E digo que me dá muita tristeza quando celebro aqui na Praça ou na Basílica e vejo tantos celulares levantados, não só dos fiéis, também de alguns sacerdotes e também bispos. Por favor, a Missa não é um espetáculo! É ir ao encontro da paixão e da ressurreição do Senhor. Por isso, o sacerdote diz: ‘Corações ao alto’. O que isso quer dizer? Recordem-se: nada de celulares” (Papa Francisco)

Vivemos, atualmente, a era do espetáculo, das fotografias, das redes sociais, das postagens e das curtidas. As pessoas, a todo instante, estão compartilhando o que fazem através das fotografias. Nada mais escapa das lentes fotográficas.

Não sou contra as fotografias. Para mim elas eternizam momentos especiais, pessoas especiais, acontecimentos especiais. Há que se registrar esses momentos. Quem não tem uma foto de seu Batismo, da Primeira Eucaristia, da Crisma, do Matrimônio? Esses momentos de fé merecem ser registrados.

As novas tecnologias, se usadas conformes as orientações da Igreja, podem e muito contribuir em nossa evangelização de comunicar Jesus Cristo. No entanto, quando mal entendida ou mal usada, pode provocar grandes desconfortos e problemas em inúmeros momentos de nossa fé Cristã.

O problema hoje é que as pessoas, ao invés de se preocuparem em viver o momento celebrativo, estão preocupadas em registrar estes momentos. Ao invés de viverem o que está acontecendo ali e agora, estão preocupadas em somente registrar as fotos, já pensando nas curtidas que aquelas fotos renderão quando postadas. Fazem até selfie pegando de fundo o padre que entra na procissão de entrada. Cada um, por possuir seu aparelho, quer tirar a sua foto.

E o problema não para por aí. Também temos os fotógrafos que não sabem fotografar do próprio lugar. Saem de onde estão, cruzam toda a assembleia para bater a foto de um leitor, ou do presidente da celebração, ou até mesmo da filha que é coroinha. E ainda, na hora da consagração vão atrás do padre para bater uma foto no momento da apresentação. Será que é oportuno bater fotos na hora da consagração, ponto central de toda a celebração? Não deveria ser de silêncio este momento?

E os fotógrafos de casamento? Estes são capazes até de se apoiarem sobre o altar ou fazerem dele um pedestal para a sua câmera. Não poucas vezes, já vi fotógrafos pedindo para repetir um rito, para que conseguisse captar a foto desejada. Noutro dia, um Bispo, meu confrade, reclamou sobre isso: “Hoje passei raiva numa Crisma! Precisei proibir as fotos ao longo da missa e só autorizei na hora da administração do Sacramento”. Desconcertante quando é preciso chegar a esse ponto durante o ato litúrgico… Existem também aqueles fotógrafos folgados que, em determinada altura da celebração, são capazes de pedir para você sair do seu lugar, a fim de que possam ter um ângulo melhor. A fotografia, se não for bem executada, pode tirar do mistério celebrado toda uma assembleia e até mesmo quem o preside.

Cabe-nos, hoje, oferecer uma formação aos nossos fiéis e fotógrafos. Estes, enquanto fotografam, devem ser discretos e não chamar para si a atenção; devem escolher um lugar fixo que possua ângulo para os principais momentos que precisam ser fotografados; precisam escolher quais momentos fotografar; evitar flash fortes e escandalosos; devem ter em mente que estão fotografando um culto litúrgico, um Rito Sacramental e não uma festa de debutante ou Show qualquer; precisam estar conscientes que estão prestando um serviço à sua comunidade. Para isso, é preciso que o fotógrafo tenha uma formação bíblica, litúrgica e cristã. Não basta ser um profissional excelente, precisa ser também um profissional prenhe de experiência cristã e comunitária.

Precisamos trabalhar também a consciência de comunidade, escolhendo somente uma pessoa responsável para fotografar os momentos e disponibilizá-la aos demais irmãos e irmãs. Esse seria o melhor caminho: Fazer do ato de fotografar um serviço. Bom seria se cada Diocese criasse e oferecesse uma diretriz, para nortear o bom desempenho desse serviço durante os atos litúrgicos.

Por fim, irmãos e irmãs, vamos vivenciar mais as nossas celebrações, seus momentos rituais, os cantos, etc. Na linguagem tecnológica ou virtual, vamos “curtir” mais a celebração, isto é, viver melhor cada instante celebrado. Afinal, melhor que uma imagem impressa ou digital, é a memória que guardamos no coração. Por isso, vamos curtir a Missa sem bater fotos.

Frei Zilmar Augusto, OFM


Para refletir…

1. Como é a questão da fotografia em minha comunidade eclesial?

2. Os fotógrafos, profissionais e amadores, possuem uma consciência litúrgica na hora de fotografar?

3. Será que todos os momentos da celebração precisam ser fotografados? Ou podemos escolher um ou dois momentos?

4. Como podemos trabalhar a questão da fotografia em nossa comunidade, paróquia ou diocese?



 

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