O profeta Isaías anuncia que “um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado”(cf. Is 9,1-6). Nesta noite de Natal a revelação de Deus ao profeta se concretizou. O evangelista Lucas narra como aconteceu o nascimento deste menino. Tendo o cuidado de expressar concretamente o grande mistério desse nascimento, Lucas contextualiza o tempo e o lugar para indicar que a vinda de Jesus não é apenas uma abstração atemporal e fora da história humana.

Era o tempo dos personagens bem conhecidos na história política: César Augusto, imperador romano que dominava o povo judeu; Quirino, governador da Síria, que organizou o recenseamento da Palestina; Herodes, rei da Judeia. O local é tido como “cidade de Davi”, Belém, uma cidadezinha sem muita importância próxima a Jerusalém. Lá chegaram José e sua esposa grávida, Maria, certamente em meio aos parentes de José. Por causa do tal recenseamento a casa estava cheia.

O lugar do nascimento é o mais improvável para um bebê: um estábulo. O berço não é berço: uma manjedoura. É aí que “nasceu para nós um menino”. É daí que surge o anúncio “hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Cristo Senhor! Um menino envolvido em faixas, deitado em uma manjedoura”.

Que mistério inebriante! Em sua grandeza e infinitude, Deus quis fazer-se carne assumindo nossa pequenez e limitação. Nasceu o Salvador do mundo numa extrema pobreza, à margem de toda sociedade, sem um lugar numa casa, sem um berço, apenas com o aconchego do colo de Maria. Este é o sinal mais eloquente de que Deus está com o seu povo, com os pobres, os marginalizados, os sem teto, os sofredores.

O profeta Isaías anuncia um novo tempo: sem opressão, sem guerra, em armas, sem derramamento de sangue… mas com paz, com direito e justiça, pois nasceu o “Conselheiro admirável, o Deus poderoso, Pai para sempre, o Príncipe da paz”.

São Francisco de Assis quis sentir, tocar, abraçar e contemplar este mistério no presépio pobre com cheiro de animais. Na alegria ele glorificou o Deus humanizado, cuja presença ele via no leproso, no pobre, no mundo…

O Natal é ocasião para cada cristão tomar a iniciativa e fazer-se amigo de um irmão pobre. Oferecer-lhe um coração e uma mão generosa além de algo material que amenize o seu sofrimento.

A alegria das festividades não pode abafar o grito inocente daquelas crianças atingidas pela fome, pela marginalização, pelo abandono, pela violência, pela indiferença. Hoje devemos rezar: Jesus feito carne como uma criancinha seja luz e vida para todas as crianças ameaçadas no mundo.

cf. Is 9,1-6

cf. Sl 95

cf. Tt 2,11-14

cf. Lc 2,1-14

FELIZ NATAL!

PAZ e BEM!

Frei Valmir Ramos, OFM

Fonte (imagem): padrepauloricardo.org/episodios/memoria-de-sao-francisco-de-assis

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