Solenidade da Sagrada Família: “Toda a humanidade precisa amar mais a família”

No Domingo que ocorre entre a celebração do Natal e do Ano Novo a Igreja celebra o dia da Sagrada Família. O evangelista Lucas situa a família de Jesus no templo de Jerusalém. Lá Maria deveria cumprir o que pedia a lei da purificação, isto é, que ela, depois de dar à luz o seu primogênito, deveria oferecer um sacrifício a Deus. Como era uma família pobre, Maria deveria oferecer um casal de rolinhas, enquanto os ricos ofereciam cordeiros ou bois.

Os personagens que aparecem fazem entender que Jesus nasceu no meio do povo judeu, com suas tradições e sua religiosidade. A família de Jesus também esperava pela redenção de seu povo, também acreditava nas promessas feitas ao seu povo por meio dos profetas e era piedosa no cumprimento dos preceitos.

No templo aparecem Simeão e Ana. Simeão é apresentado indiretamente como um idoso, servidor do templo e conhecedor das profecias. O evangelista narra a sua prece a Deus: “agora, Senhor, podeis deixar o vosso servo ir em paz, pois os meus olhos viram a vossa salvação”. Esta prece indica o reconhecimento de que o menino Jesus apresentado no templo é o Messias, o Salvador. Isto é considerado una profecia. Quanto à mãe do Salvador, o destino de sofrimento do seu povo a atingirá. Mais ainda, o sofrimento de seu filho, descrito como espada, “lhe transpassará o coração”.

Ana é indicada como viúva e idosa, e é chamada de profetiza. Isto quer dizer que ela se faz “porta-voz de Deus” para anunciar ao seu povo a mensagem de Deus. Numa sociedade que não considerava a mulher com a mesma dignidade do homem, Lucas percebeu a importância daquelas mulheres no templo naquela ocasião. Maria cumpre a Lei prescrita no Antigo Testamento mesmo sendo escolhida como mãe do Salvador. Ana, que servia a Deus no templo em constante oração, profetiza aos homens de seu tempo que Deus redimiu Jerusalém. Esta era a esperança do povo que tinha Jerusalém como destinada à redenção do povo judeu.

O autor do livro do Eclesiástico, faz um apelo aos membros da família para que se respeitem e vivam o amor de modo altruísta. De modo especial recomenda aos filhos um comportamento de respeito e amor para com a mãe e o pai.

Na carta aos colossenses, o autor expõe a mentalidade de sua época quanto ao relacionamento dos casais. Ele fala que as esposas devem ser “solícitas aos seus maridos”. Esta expressão, vinculada a outras em que aparece o mandamento de “submissão” da mulher, indica como a sociedade se organizava sem considerar a dignidade da mulher.

Jesus, no entanto, quebrou as estruturas deste comportamento e mostrou que mulher e homem têm a mesma dignidade, por isso o casal precisa viver no amor mútuo e crescer na intimidade para formar um só coração. Jesus, que nasceu numa família, indica o projeto de Deus para a humanidade: nascer e crescer com laços profundos de familiaridade. É o que podemos traduzir com a expressão “Deus ama e abençoa a família”.

Hoje, toda a humanidade precisa amar mais a família, entender que o ser humano precisa nascer e crescer com laços e vínculos familiares fortes e receber da família os princípios do respeito, da solidariedade, da paz e da religiosidade.

Frei Valmir Ramos, OFM

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