Domingo de Ramos: “O Senhor precisa dele”

A Semana Santa é a grandeza da vida de Jesus; é a grandeza dos passos de Jesus. E com a Celebração do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, damos início a celebração de sua Páscoa. Neste dia, com ramos nas mãos, aplaudimos e acolhemos um Jesus Rei. Mas, que Rei é esse que, ao invés de entrar numa carruagem, com cavalos, entra montado num jumento? Que Rei é esse que tem seu corpo maltratado, suas mãos, pés e lados perfurados, ensanguentados? Que Rei é esse que reina do alto duma Cruz?

Esse é o nosso Rei… Um Rei pobre, humilde, obediente, servo menor: Jesus Crucificado. Esse é o Rei do “amor não amado”1, na linguagem franciscana. É um Rei que, para sarar, se deixa ferir.2 Um rei que esvaziou a si mesmo, assumiu nossa forma humana; fez-se escravo de todos nós e, para nos livrar de nossos pecados, entregou sua vida até a morte de Cruz, como vamos escutar no texto mais curto da proclamação da Paixão do Senhor.

Mas, gostaria de chamar a atenção para o Evangelho da Celebração de Bênção dos Ramos, no qual Jesus entra na cidade sendo aclamado pelo povo que, com grande alegria, louvava e bendizia a Deus por tudo o que já havia vivido com Jesus. Nesse relato, chamo a atenção para a fala de Jesus aos seus discípulos, falando acerca do jumentinho, quando ele diz: “O Senhor precisa dele”. E, sobre isso, partilho uma história:

Um jumentinho voltando para sua casa todo contente, fala para sua mãe:

– Fui à uma cidade e quando lá cheguei fui aplaudido, a multidão gritava alegre, estendia seus mantos pelo chão… Todos estavam contentes com minha presença.

Sua mãe questionou se ele estava só e o burrinho disse:

-Não, estava levando um homem com o nome de Jesus.

Então sua mãe falou:

-Filho, volte à essa cidade, mas agora sozinho.

Então o burrinho respondeu:

– Quando eu tiver uma oportunidade, voltarei lá…

Quando retornou à essa cidade sozinho, todos que passavam por ele fizeram o inverso, maltratavam, xingavam e até mesmo batiam nele.

Voltando para sua casa, disse para sua mãe:

– Estou triste, pois nada aconteceu comigo. Nem palmas, nem mantos, nem honra… Só apanhei, fui xingado e maltratado. Eles não me reconheceram, mamãe…

Indignado o burrinho disse a sua mãe:

– Porque isso aconteceu comigo?

Sua mãe respondeu:

– Meu filho querido, você sem JESUS é só um burrinho…

Em Jesus, Deus fez de tudo para nos salvar. Mas, com cabeça dura, ignoramos esse esforço de Deus. Por vezes, em nossa autorreferencialidade, corremos o risco carregarmos uma Cruz sem Jesus, ou de sermos “jumentinhos”, caminhando sem Jesus. Aí somos, como na história, apenas “burrinhos”. Jesus, para celebrar sua Páscoa, quer contar conosco, quer precisar de nós.

Por isso, ao longo desta Semana Santa, nos preparemos; preparemos tudo para bem vivermos uma Semana Santa com Jesus, uma Ceia com o Senhor, uma Via-Sacra com Jesus, um descanso com o Amado, a fim de celebrarmos a Gloriosa Festa da Ressurreição.

Frei Zilmar Augusto, OFM


Terminada a Quaresma, iniciamos a Semana Santa com a celebração da entrada de Jesus em Jerusalém e o seu julgamento seguido de sua morte. A decisão de Jesus de ir para Jerusalém revela a sua plena obediência ao Pai como vemos na segunda leitura. Mesmo sabendo do risco que corria indo para o centro do poder religioso, político e econômico, Jesus não renuncia à construção do Reino e ao anúncio da verdade e da Boa Nova.

O processo contra Jesus é único. Nem dos romanos, nem dos judeus. Ambos seguem seus interesses e são cegados pela covardia de não aceitar a verdade.

Diante dos poderosos Jesus tem apenas a verdade para se defender. Mas foi porque sempre disse a verdade que os chefes judeus o perseguiram. Agora os chefes manipulam o povo que está em Jerusalém para que condene Jesus à morte. No fundo os poderosos estavam com medo, talvez de perder o poder.

Jesus por sua vez, não é uma vítima do acaso ou mártir da situação de um povo subjugado pelo Império Romano. Ele é o “servo obediente” que entrega a sua vida para salvar a humanidade mesquinha, vingativa e autodestruidora. Diante das ameaças, Jesus confia no Pai que é seu auxílio e nunca abandona seus filhos e filhas. Vemos na primeira leitura do profeta Isaías como o servo sábio exprime sua confiança no Deus auxiliador que acompanha os pequenos e humilhados. Jesus sofre angustiado, carrega a cruz, deixa que o crucifiquem e morre. Sua última palavra é de confiança e pede ao Pai para não abandoná-lo.

Quem abandonou Jesus foram os discípulos, todos amedrontados e desiludidos pelo trágico fim daquele Mestre que anunciou o Reino e revelou-se “Deus conosco”. As multidões que viram o que ele fazia agora está dispersa e confusa.

O Rei que entrou em Jerusalém montado em um jumentinho é mais do que alguém que tem poder temporal. É aquele que ama a ponto de dar a sua vida pelos outros. A Semana Santa convida todos os cristãos ao seguimento de Cristo, isto é, de abraçar o projeto de Deus para construir o seu Reino e defender a vida. Para isso é necessário agir construindo a paz em casa e na sociedade, estendendo a mão ao próximo caído ou necessitado, amando a ponto de entregar a vida sem egoísmos.

Frei Valmir Ramos, OFM

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