Quinta-Feira Santa: “A instituição da Eucaristia, do Sacerdócio, do Pão… e da mesa!”

“Jesus nos insere numa nova partilha maior, a mais excelente entre todas: a partilha do seu próprio ser!”

É chegada a Páscoa. Jesus e seus discípulos se preparam para celebrar o Deus que fez o povo atravessar o mar Vermelho a pé enxuto. O mesmo Senhor que levou o povo para a Canaã e os fez provar o leite e mel que “brota” desta terra. Jesus já sabe que sua hora é chegada e que é preciso se preparar para o momento em que se conclui todo o mistério da Salvação projetado pelo Pai. Seria interessante observar no cenário construído em nossas mentes pelas pinturas e artes este momento sublime para a vida cristã: a instituição da Eucaristia, do Sacerdócio, do Pão… e da mesa! A mesa que forma e harmoniza a Ceia dos Apóstolos com Jesus ao qual irá se perpetuar até a vida eterna.

A mesa foi o lugar apropriado para acontecer a partilha, o encontro, a festa, a alegria. Nela estão todos os dons que foram preparados, além de ser o instrumento que todos buscam, ou seja, é o lugar do ‘comum’, da comunidade, da família. Esta mesa está num ambiente que caracteriza todos os sentimentos familiares e fraternos. Jesus ao ser reunir com os seus amigos revela sua divindade e, também, quando sela uma aliança conosco em forma de testamento. Suas atitudes nesta mesa comum, ambiente privilegiado da partilha, ensina e nos catequiza para vivermos o seu Evangelho em duas formas.

A primeira é a humildade. Jesus se levanta e toma o jarro e a bacia e lava os pés de seus amigos. É clara em Jesus a atitude da humildade. A mesa é o lugar em que o outro tem a dignidade, por isso, lavar os pés é sinal de humildade. É reconhecer que todos temos um assento junto a Jesus, é reconhecer que o próximo também tem dons e podem ser partilhados junto à mesa da família comum de Cristo. Jesus ensina nesta mesa que a alegria fraterna está em conviver e reconhecer o outro na sua dignidade humana e fraterna. O próximo é meu irmão, por isso, lavo os seus pés reconhecendo-o como irmão de caminhada, filho de Deus, herdeiro do mesmo banquete que eu. Assim, ele tem seu lugar na mesa. Ainda hoje é preciso nos perguntar se enxergamos também no outro esta mesma dignidade. Se ainda lavamos os pés daqueles que se achegam ao banquete do Senhor em nossas mesas… se encontramos aquela dignidade de irmão no próximo, preferida por Jesus, independente de quem seja o “outro”; e mais: se estamos deixando alguém à margem deste banquete, excluindo da alegria da mesa comum do Senhor. Saibamos encontrar esta dignidade!

A segunda é o amor. Jesus parte o Pão nesta mesa, eleva o Cálice e partilha. Neste mistério de amor, Ele é o Pão e o Vinho. Esta refeição é a mais excelente de todas, pois nos é dado a sua presença viva e real. A mesa é tornada símbolo de uma aliança duradoura, formaliza oficialmente o projeto salvífico de Jesus em testamento para a humanidade. Sua presença completa a mesa, faz todos se aproximarem, conduz seus amigos a uma partilha celeste. Quem se oferece nesta mesa são todos: quem traz seus dons e o próprio Cristo! O amor é liberado até mesmo aos amigos que não reconheceram Jesus nesta mesa, como Judas. João, ao encostar-se no peito de Jesus traduz para nós a atitude de amizade e amor. Quem reclina sobre o peito de Jesus, sente o amor e a força de seu Coração. A mesa, lugar do amor, é compreendida como o cerne de todas as ações da mesa. Quem partilhou, ceiou e viveu com Jesus ali, consegue amar.

O seu testamento para nós é o amor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. O termo (fim) de tudo o que Jesus ensinou, de suas lições, de sua peregrinação… daquilo que o Evangelho propõe é este amor. É preciso conferir se nossas ações desembocam no profundo amor pedido por Jesus. Amar como ele amou é se doar por inteiro, é entender que a vida sem partilha não há sentido. Este é o legado evangélico… Jesus amou até a cruz e nós somos os continuadores deste amor-doação. Antes de ser amor na cruz, jesus foi todo amor com os menos valorizados, marginalizados da sociedade, excluídos de qualquer dignidade. Amou os pobres, amou os cobradores de impostos, os pescadores, os agricultores, os cegos, os coxos, os surdos, os endemoniados… O seu amor nutrido pelo Pai expandiu para toda a humanidade. Hoje a mesa cresceu, portanto, cresça entre nós a fraternidade, a partilha e o amor. É Jesus que espera de nós!

PAZ e BEM!

Frei Luciano Souza da Cruz, OFM

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