Jesus ressuscitado envia seus discípulos “por todo o mundo” para “proclamar o Evangelho a toda criatura”. A sua missão deverá ter continuidade com os discípulos e discípulas que formam a Igreja. Subindo para o Pai ele enviará o Espírito que será a força da Igreja no mundo.

Os versículos do Evangelho de hoje (cf. Mc 16,15-20) parecem ter sido acrescentados à obra de Marcos, pois indicam uma segunda conclusão ao Evangelho (cf. 16,9-20). É um testemunho fundamental para a comunidade cristã que precisa continuar a missão de Jesus. Ele, com seu corpo glorificado não será visível aos discípulos, mas a sua promessa de permanecer com eles se cumpre. Esta é a razão pela qual Jesus vai para junto do Pai: permanecer com os seus. No Evangelho de Mateus vemos Jesus anunciando que estaria com os seus “até a consumação dos séculos” (cf. Mt 28,20). Isto foi o que Paulo experimentou em sua missão diante das ameaças sofridas por causa do Evangelho (cf At 18,10). A própria “nuvem que o cobriu” conforme lemos em At 1,9 é sinal da presença de Deus de acordo com a tradição do Antigo Testamento.

A ascensão de Jesus indica sua vitória definitiva sobre a morte e suas causas. Ele, “sentado à direita do Pai”, tem todo poder, com vemos na 2ª leitura (cf. Ef 1,17-23). Seus discípulos e discípulas precisam ficar unidos e continuar sua missão neste mundo que ainda ameaça a vida e está longe de viver plenamente o amor. Será o Espírito a fortalecê-los a ponto de terem coragem de anunciar a verdade de Jesus e enfrentar as perseguições e a própria morte. Começa a clarear para eles que morrendo com Cristo, serão ressuscitados com Ele (cf. Rm 6,8s).

Em Atos, na primeira leitura (cf. At 1,1-11), os discípulos aparecem “olhando para o céu”, talvez atônitos, talvez saudosos da presença física de Jesus, talvez esperando sua volta, mas eles precisam abraçar a missão deixada por Jesus e olhar para a terra. É na terra que estão os destinatários do Evangelho, aqueles aos quais Jesus tinha predileção: doentes, perseguidos, discriminados, excluídos da sociedade e da comunidade, pecadores e injustiçados.

Hoje os discípulos e discípulas de Jesus que formam a Igreja precisam abraçar a missão de “proclamar o Evangelho a toda criatura” com ações práticas como fez Jesus. Mesmo que esta missão possa sujar as mãos e ferir o corpo como acontece com a Igreja preferida pelo Papa Francisco. É o compromisso com o Ressuscitado que faz a Igreja ser discípula missionária para acolher, curar, acompanhar, dar de comer, defender na fragilidade e na ameaça aos direitos, ir ao encontro das pessoas distantes e promover a vida como bem maior.

PAZ e BEM!

Frei Valmir Ramos, OFM

Fonte(imagem): www.google.com.br

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