A Espiritualidade de Pentecostes em São Francisco de Assis e no Franciscanismo

O espírito do Senhor quer que a carne seja mortificada e desprezada, vil e abjeta. E se esforça pela humildade e paciência e pura e simples e verdadeira paz de espírito. E sempre sobre todas as coisas deseja o divino temor e a divina sabedoria e o divino amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E devolvamos todos os bens ao Senhor Deus Altíssimo e sumo e reconheçamos que todos os bens são dele e demos graças por tudo a ele, de quem todos os bens procedem. (RnB 17, 14-17).

A sabedoria infusa do Espírito Santo sempre fez parte da vida apostólica de São Francisco de Assis. Tal ação do Espirito do Senhor na vida do Seráfico pai pode ser notada a partir de suas ações e palavras. O próprio termo “Espírito Santo” ocorre trinta e oito vezes em seus escritos. Em todos os momentos de sua caminhada após a conversão percebemos que o jamais deixou de relacionar-se com o “Espírito do Senhor e seu santo modo de operar”. Nas Fontes Franciscanas encontramos inúmeros relatos onde o pobrezinho de Assis entregava-se a intensas orações, inclusive por vezes regadas à lágrimas, fossem elas a fim de alcançar a paz interior ou até mesmo para encontrar-se consigo mesmo e com Deus. Sua relação com o Espírito Santo é permeada pela relação com toda a Trindade Santa, quase sempre reconhecendo a benevolência das Três Pessoas no agir humano: “Temei e honrai, louvai e bendizei, dai graças (1Ts 5,18) e adorai o Senhor Deus onipotente na trindade e na unidade, Pai e Filho e Espírito Santo, criador de tudo” (RNB 21,1-2). Isto se expande até mesmo para a oração do santo, quando ensina os seus filhos espirituais:

“Todos os que viram o Senhor Jesus segundo a humanidade e não viram e creram segundo o espírito e a divindade que ele era o verdadeiro Filho de Deus, foram condenados; assim também agora todos os que vêm o sacramento que se consagra pelas palavras do Senhor sobre o altar por mão do sacerdote na forma de pão e vinho, e não veem e creem segundo o espírito e a divindade, que é verdadeiramente o santíssimo corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, foram condenados” (Admoestação, 1, 8-9).

Orar em coração puro é orar no Senhor, que conduz a súplica e aquilo que o orante deve fazer. “orar em Espírito e em Verdade” é fruto da compreensão de que “Deus é Espírito” (Regra Não Bulada, 22,28), por isso, merece o louvor espiritual. Como vemos no relato a seguir, desde os inícios de sua conversão foi o próprio Espírito do Senhor quem impeliu Francisco a agir e a transformar-se num verdadeiro servidor e discípulo do Deus Sumo-Bem. O encontro com o leproso acabou por transformar-se no Grande Encontro com o próprio Senhor, que toca o coração e a alma do bem-aventurado a ponto de provocar a verdadeira conversão de sua vida bem como o seu modo de ver o mundo. Esta doçura de alma e de corpo passa a ser reconhecida e aplicada a partir de suas obras.

O Senhor assim deu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: porque, como estava em pecados, parecia-me por demais amargo ver os leprosos. E o próprio Senhor me levou para o meio deles, e fiz misericórdia com eles. E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo; e depois parei um pouco e saí do século. (Test 1, 1-3)

Este Senhor que o conduziu, é fonte de todo bem. Tudo o que de bom Francisco fazia era atribuído por ele à bondade do Espírito. Ao ter o olhar renovado pelo Sumo Bem, todo o universo

passa a ser enxergado com um novo sentido de ser. O próprio Santo afirma: “O Espírito do Senhor exige que a nossa carne seja mortificada e desprezada, vil, abjeta e desprezível e ele procura a humildade e a paciência e pura e simples verdadeira paz do espírito; e acima de tudo deseja sempre o temor de Deus, a sabedoria de Deus e divino amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (RNB 17, 14-15). Com isto demonstra que os sentimentos, os dons e os atos de bondade sempre procedem da Trindade Santa, sendo criação humana apenas a miséria e os pecados.

É o espírito do Senhor quem desperta em Francisco o sentimento de ser ele o irmão de todos, transformando seu interior por completo e levando-o a tornar-se um ser integrado a todo o universo e à todas as criaturas. É o Espírito do Senhor quem o provoca e impele a aproximar-se daqueles que sofrem, não vendo neles apenas seres abatidos, marginalizados ou frutos da escória da sociedade; ao invés disso, estimula o santo a “fazer misericórdia com eles”, tomando para si a dor pela qual eles passam. Por um terno gesto de alteridade, é este mesmo Senhor quem ensina-lhe a ver o coração, a alma, e tudo aquilo que há de bom em cada ser humano, algo que vai muito além da condição de vida ou mesmo situação social em que este se encontra.

Assim, a pregação dos Apóstolos, feita em Pentecostes, recebe, em plena Idade Média, por São Francisco e os franciscanos, um revigoramento quanto ao modo de ser vivencial na Igreja. Aquele mesmo anúncio feito outrora por Pedro à multidão que encontrava-se fora do Cenáculo logo após a efusão do Espírito Santo, passa a ser o anúncio feito pelos franciscanos, a exemplo do poverello de Assis; os quais, além do anúncio – kerigma – colocam-se ao lado dos pobres e sofredores, de espírito e de bens. Em outras palavras, a relação apostólica com o Espírito Santo e a Santíssima Trindade pode e passa a ser vivenciada pelos seguidores de São Francisco com toda sua intimidade e intensidade, como numa relação amorosa e familiar, perfeito dom do amor derramado pelo Espírito.

E todos, eles e elas, enquanto isso fizerem e perseverarem até o fim, descansará sobre eles o Espírito do Senhor (Is 11,2) e fará neles habitação e morada (cfr. Jo 14,23). E serão filhos do Pai celeste (cfr. Mt 5,45), cujas obras fazem. E são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. Mt 12,50). Somos esposos, quando pelo Espírito Santo une-se a alma fiel a Jesus Cristo. Somos certamente irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está no céu (cfr. Mt 12,50); mães, quando o levamos no coração e em nosso corpo (cfr. 1Cor 6,20) pelo amor e a consciência pura e sincera; o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo (cfr. Mt 5, 16). (2Carta aos Fiéis, 48-53)

Com isto percebemos que a medida do agir de Deus em nós passará pela medida com que nos abrimos à ação de Deus e com que mudamos nossa conduta. A cada anseio de transformação do nosso coração corresponderá um “toque a mais” do Espírito do Senhor, que nos invadirá por completo. Na Cata à Toda Ordem (3) Francisco afirma: “Ele [o Espírito] permanece, todavia, indivisível, sem sofrer alteração alguma, e opera em toda parte conforme lhe apraz”. O ato de fazer-se pobre e amigo dos marginalizados, Francisco, não consistiu apenas em transformar situações sociais ou ainda provocar revoluções entre aqueles que eram excluídos e injustiçados; antes disso, consistiu primeiramente em converter-se e realizar o “beijo no leproso” que havia dentro de si, provocando uma transformação interior e um encontro pessoal com o Senhor Ressuscitado, na pessoa do leproso, do pobre. Além disso, demonstrou, para o poverello, que nada ele ou os frades o fariam em suas vidas, sem o mover do Espírito; ou seja, todo o agir humano, mesmo partindo da busca interior, é fortemente movido pela ação do Espírito por completo. O que se demonstra quando ele o afirma:“Diz o Apóstolo: Ninguém pode dizer: Senhor Jesus, a não ser no Espírito Santo; e: Não há quem faça o bem, não há um sequer. Portanto, todo aquele que inveja seu irmão pelo bem que o Senhor diz e faz nele, incorre no pecado de blasfêmia, porque inveja o próprio Altíssimo, que diz e faz todo bem” (Admoestação 8). E ainda: “pela graça e

iluminação do Espírito Santo sois infundidas nos corações dos fiéis, para que os façais de infiéis fiéis a Deus” (Saudação à B.A.V.Maria). E ainda: “não gloriar-se nem gozar em si mesmos nem se exaltar interiormente por boas palavras e obras, mesmo por nenhum bem, que Deus faz ou diz ou opera neles alguma vez e por eles, segundo o que diz o Senhor: ‘Mas não vos alegreis nisso que os espíritos se vos submetem’ E saibamos firmemente que a nós não pertencem senão os vícios e pecados” (Regra Não Bulada, 17, 6-7).

Toda transformação e compreensão da nova realidade mística, passa pela vontade e poder divinos, como nos afirma São Francisco ao dizer: “todos os que viram o Senhor Jesus segundo a humanidade e não viram e creram segundo o espírito e a divindade que ele era o verdadeiro Filho de Deus, foram condenados” (Admoestações 1, 8); mas também exige constante desejo de renovação interior e disponibilidade para o agir de Deus a ponto de ser impelido, por seu próprio desejo, a entregar-se ao Pai. O mesmo ocorre quanto ao agir social e à relação que temos com os mais pobres e marginalizados, isto nos demonstra quando escreve: “Eterno Deus onipotente, justo e misericordioso, concedei-nos a nós, míseros, praticar por vossa causa o que reconhecermos ser a vossa vontade e querer sempre o que vos agrade” (Carta à toda Ordem, 50ss); daí, vermos Francisco nos leprosários e junto aos maltrapilhos não deve soar estranho, antes, foi onde o Espírito o impeliu. São Boaventura é claro ao dizer sobre o pobrezinho de Assis: “o poder incendiário do Espírito de Cristo abrasava por completo” (Lm 2,2). Em outros termos, que São Francisco de Assis não agia mais por si mesmo, mas vivia constantemente impelido pelo Espírito Santo em todas as suas ações, todo o seu modo de pensar e agir, passava a ser conduzido por este mesmo Senhor, questionando-se incessantemente quanto à vontade Trinitária para como devesse se comportar frente às situações da vida: “Assim pode conhecer o servo de Deus se tem o espírito do Senhor: quando o Senhor fizer através dele algum bem, se sua carne não se exaltar por isso, porque é sempre contrária a todo bem” (Admoestação, 12, 1-2).

Esta mesma força do Espírito que o impeliu a anunciar a paz e o bem o levou a encontrar o Senhor no rosto do pobre e do excluído, do mesmo modo que conduziu o próprio Salvador ao deserto após o Batismo (cf. Mc 1, 6-11). Também sensibilizou-o a ponto de levá-lo a perder o medo da lepra, a perder o medo daqueles que poderiam fazer-lhe qualquer “mal” e a associar-se aos pobres e discriminados da sociedade como verdadeiro irmão deles. É o espírito de paz que o levou afirmar em seu Testamento: “revelou-me o Senhor que devemos saudar nos dizendo: ‘o senhor te dê a paz’” (Test 22). Tal fato leva-nos a compreender que o anúncio Franciscano de paz supera toda e qualquer consciência de paz superficial e vaga relacionada aos moldes da pós-modernidade, que considera o desejo de pacificador como mero anseio pela ausência de guerra. É preciso compreendermos que a paz Franciscana, a paz desejada por Francisco de Assis e por todos aqueles que amam seu ideal é a verdadeira paz de Espírito, precioso e impávido agente capaz de transformar o interior humano por completo, levando o homem ao encontro consigo mesmo em todos os âmbitos de seu coração e sua alma, e com todo o universo que o cerca, pois todas as virtudes procedem do Senhor: “Santíssimas virtudes todas, guarde-vos o Senhor, de quem procedeis e vindes a nós!” (Saudação das Virtudes, 4).

Esta paz de espírito é uma paz integrada, firmada na relação do homem com todo o universo, baseada no equilíbrio de alma e de corpo, onde o movimento do Espírito Santo – o qual permanece numa constante recriação e renovação do universo através do seu agir e do seu poder transformador – atua também no interior humano renovando as forças e equilibrando a vida em seu próprio modo de agir. Note-se que, em todas as relações de São Francisco com os que lhe eram diferentes e alheios quanto ao modo de ser de agir de viver – tome-se por exemplo

a sua visita ao sultão – vemos um exímio propagador da Paz do Espírito Santo, e um verdadeiro anunciador de Paz. Deste modo, o cristianismo, na ótica Franciscana, passa a ser a religião do contato, a religião da proximidade com todos os homens e todas as outras religiões, a religião do equilíbrio interior. A religião do Espírito do Senhor e seu santo modo de operar.

Tona-se portanto imperativo lembrar que Pentecostes é uma das mais importantes festas do franciscanismo, precisando ser vivenciada e celebrada por todos aqueles que amam e vivem a espiritualidade de Francisco de Assis. Visto que torna-se também a festa do encontro, da partilha, da cura, da libertação e da transformação interior e fraterna; o Espírito de unidade, que repousa sobre todos: “Desejava que se recebessem na ordem pobres ignorantes, e não apenas ricos e sábios: ‘ Deus – dizia ele – não tem em conta essas diferenças; o Espírito Santo, que é o ministro geral da Ordem, repousa tanto sobre os pobres e simples como sobre os outros’. Pretendia até que esta frase fosse incluída no texto da regra – mas a bula da aprovação já tinha sido publicada (a 29 de Novembro de 1223) – era portanto tarde demais” (1Celano 123).

O impacto da relação do Espírito Santo com o São Francisco de Assis foi tão grande que todos os franciscanos posteriores sempre se dedicaram a escrever, destacar e celebrar este mistério de amor, tanto em relação ao pobre de Assis, quanto para com todos os frades e irmãos terceiros, membros da família Franciscana. É por isso que a, Ordem Seráfica, no decorrer da História, passou por inúmeras transformações e reformas, principalmente nos ramos denominados “espirituais”. Tudo isso nos leva a compreender o por que, para inúmeros historiadores, a Ordem Franciscana e consequentemente toda a Família Franciscana em sua mística, constitui uma espiritualidade em constante movimento de transformação e inovação, capaz de adaptar-se a todos os ambientes e situações em que se encontra, exatamente porque o seu carisma, sendo eternamente movido pelo “Espírito do Senhor e seu santo modo de operar”, permeia todos os locais, todas as realidades, sendo capaz de identificar aquilo que é necessidade emergencial para a Igreja e para a sociedade em geral.

“Mais que qualquer outra coisa, devem os irmãos desejar e ter o espírito do Senhor e deixarem-no atuar neles” (10, 9), é o que São Francisco nos perde na Regra Bulada, tornando-se o objetivo supremo para aqueles que aderem à vida evangélica seguindo São Francisco. Desejemos, pois, nos preparar para isso “interiormente purificados, interiormente iluminados e abrasados pelo fogo do Espírito Santo, [e assim] poderemos seguir as pegadas de seu amado Filho” (Carta à toda Ordem 51). Somente deste modo o homem será capaz de passar do espírito terrestre ao Espírito do Senhor, ou seja, a mudar de vida e conduta radicalmente, e ali experienciar verdadeira metanóia (cf. Mc 1,15), uma mudança radical, transformação de vida. Calcados sobre ação do Espirito Santo os franciscanos renunciam ao excesso de quaisquer benefícios oriundos do mundo e da corrupção humanas, e passam uma viver exclusivamente a partir da vontade do Senhor, dedicando-se e aspirar, sempre mais, as coisas do Alto; uma “Teologia” fortemente presente em seus escritos, e que aparece na “Forma de vida dada para Santa Clara”: “Desde que por inspiração divina vos fizestes filhas e servas do Altíssimo Sumo Rei Pai celeste e desposastes o Espírito Santo, optando por uma vida de acordo com a perfeição do santo Evangelho”.

Eis o motivo pelo qual o desprezo das coisas da carne não pode ser visto como renúncia ao corpo ou à condição humana, como o fazia o dualismo maniqueu, que considerava tudo o que era matéria como sendo algo ruim ou vil. A espiritualidade franciscana nos aponta, a exemplo de Francisco de Assis e dos seus ditos, que é o agir do homem quem dirá qual a bondade ou maldade de seus

atos. Se este atuar como o Bem mo exige, certamente agirá de acordo com o Espírito do Senhor; por outro lado, ao portar-se como o mal, com absoluta certeza, será relacionado à corrupção da carne e aos vícios malignos, agindo puramente na carne. Daí entende-se que o homem pecador, entregue às suas próprias vontades e desejos, é por si mesmo, incapaz de fazer o bem: “Diz o Apóstolo: Ninguém pode dizer: Senhor Jesus, a não ser no Espírito Santo; e: Não há quem faça o bem, não há um sequer (Rm 3,12)” (Admoestações 8). Ou seja, o Bem não é propriedade humana, pois se mantém ligado a Deus. Com isso, agir no Bem passa a ser característica daquele que permite-se transformar e “tomar a forma”, “conformar-se” ao Espírito Santo e à vontade de Deus. Por isto lê-se:

Devolvamos todos os bens ao Senhor Deus Altíssimo e sumo e reconheçamos que todos os bens são dele e demos graças por tudo a ele, de quem todos os bens procedem. E o mesmo altíssimo e sumo, o único verdadeiro Deus tenha e lhe sejam tributadas todas as honras e reverências, todos os louvores e bênçãos, todas as graças e glória, de quem é todo bem, o único que é bom. E quando vemos ou ouvimos dizer ou fazer o mal ou blasfemar a Deus, nós bendigamos e façamos o bem, e louvemos a Deus, que é bendito pelos séculos. (RnB 17, 17-18)

Em outra passagem o santo afirma: “Assim pode conhecer o servo de Deus se tem o espírito do Senhor: quando o Senhor fizer através dele algum bem, se sua carne não se exaltar por isso, porque é sempre contrária a todo bem, mas se se tiver ainda mais diante dos olhos por mais vil e se estimar como menor do que os outros homens”. (Admoestações – 12). Todos são chamados a colocarem-se à serviço da Igreja onde quer que ela precise, pois o Espírito Santo ouve o clamor constante do seu povo, perscruta os corações dos fiéis e compreende lhes perfeitamente a dor pela qual passam. Rezemos, portanto, para que Espírito do Senhor suscite na Igreja corações que encontrem, também no franciscanismo e na espiritualidade de Francisco de Assis, a inspiração para seu viver e o método para que promovam o encontro consigo mesmos que e sejam capazes de anunciar o Evangelho com o novo ardor e empenho transformador provindo deste mesmo Espírito Santo. Que a celebração de Pentecostes seja capaz de promover em toda a Igreja o verdadeiro encontro com o Espírito Santo.

Frei Everton Leandro Piotto, OFM

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