Inicia-se, em Franca/SP, a Semana de Formação Franciscana Custodial

Deu-se início, hoje, dia 3 de julho de 2018, no Convento Santa Maria dos Anjos, em Franca/SP, a tradicional Semana de Formação Franciscana Custodial, que anualmente é oferecida pela secretaria de formação permanente da entidade. 

Pela manhã, os 25 frades participantes reuniram-se na Capela Conventual para a oração das Laudes que, na ocasião, celebraram o ofício em memória da Festa de São Tomé, Apóstolo; em seguida, houve um delicioso café da manhã preparado pelos postulantes, que com muito carinho organizaram bem a mesa com muitas variedades.

Logo depois, às 9h, todos estavam presentes na sala capitular do convento para a participação da apresentação formativa com o Frei Bruno Scapolan, OFM, que abordou o tema do Ano do Laicato com um recorte especial para a Vida Religiosa Consagrada Franciscana. Neste momento, Frei Bruno fez uma abordagem da história da Vida Religiosa, desde os Padres do deserto à construção legislativa e constitutiva desta vida, mas deixando claro que o batismo é o núcleo, é o centro de toda vida cristã, que faz de todos e todas serem verdadeiramente consagrados (as) a Deus, tendo como referência o Cristo Jesus, nosso irmão.

Na mesma esteira, o Frei Bruno trouxe a experiência e a preocupação de como se encontra a Vida Consagrada Laical na Ordem, mas particularmente dentro da Custódia. Ademais, a sua experiência de vida foi exemplo partilhado e, ainda mais, provocou a todos a partilharem um pouco de como se encontra e onde encontramos a atuação dos Irmãos Leigos, qual suas frentes de missão e evangelização. A participação foi bastante frutuosa e reflexiva chegando a uma das soluções de que a melhor maneira de evangelizar e promover a vocação franciscana laical é evangelizando em fraternidade, meio pelo qual o FRADE, bem como, a Ordem escolhe para traçar o melhor caminho contra o clericalismo. 

Assim, após o almoço, retomando os trabalhos de apresentação…, à tarde foi a vez do Frei Lucas Oliveira, OFM, que abordou de modo específico: “O ministério ordenado na Ordem e na vida dos frades menores, um lugar para o exercício da humildade e minoridade”.

Em sua abordagem, Frei Lucas Oliveira, OFM, traz ao nosso conhecimento um trecho do Testamento do Pai Seráfico, que outrora expressava sua admiração pelos sacerdotes: “Depois, o Senhor me deu e me dá tanta fé nos sacerdotes, que vivem segundo a forma da Santa Igreja Romana, por causa da ordem dos mesmos, que se perseguirem, ainda assim, quero recorrer a eles. E se tivesse tanta sabedoria quanta teve Salomão e encontrasse sacerdotes pobrezinhos deste século, nas paróquias onde moram, não quero pregar além da vontade deles. E a eles e a todos os outros quero temer, amar e horar como meus senhores. E neles não quero considerar pecado, porque neles diviso o Filho de Deus, e são meus senhores” (cf. Test. 6-9). Justamente por conta desse trecho, o Frei Lucas Oliveira, OFM, constatou, através de uma análise bem fundamentada, que o nosso Pai Seráfico, de fato, tinha muita admiração pelos sacerdotes. Além disso, averiguou que a Ordem dos Frades Menores nasceu laica, mas ao decorrer do processo histórico fora sofrendo transformações e influências de concepções mais verticalizadas e hierarquizadas, no que tange aos privilégios aos irmãos ordenados enquanto os irmãos não-ordenados ficavam com os serviços braçais e inferiores, que revelavam incapacidade intelectual e seus derivados. Nessa perspectiva, enfim, o desejo é que todos os Frades (leigos e sacerdotes) tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres, na busca de se viver a Regra: a minoridade, a fraternidade e, sobretudo, o Evangelho encarnado em todas as coisas.

Frei Suelton Costa de Oliveira, OFM




 

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